Um casal de viajantes do Rio de Janeiro se tornou um fenômeno nas redes sociais ao demonstrar que é possível explorar as belezas fluminenses com um orçamento surpreendentemente baixo. Rogério Rodrigues, de 57 anos, e Elis Regina, de 56, compartilharam em sua plataforma um vídeo detalhando uma viagem de bate e volta da Rocinha, na Zona Sul da capital, até Muriqui, na pitoresca Costa Verde do estado, gastando menos de R$ 30 por pessoa. A iniciativa de apresentar uma viagem acessível rapidamente ganhou destaque, acumulando mais de 600 mil visualizações em poucos dias. A repercussão não apenas destacou a beleza do percurso, mas também ressaltou a filosofia do casal de promover o turismo consciente e economicamente viável para todos.
A jornada acessível: R$ 26,65 e 2h40 de aventura
A viagem que capturou a atenção de milhares de internautas é um testemunho da viabilidade de explorar o Rio de Janeiro e suas regiões adjacentes utilizando exclusivamente o transporte público. Rogério e Elis, adeptos de roteiros econômicos, planejaram um itinerário que se iniciava na comunidade da Rocinha e se estendia até a tranquila Muriqui, um destino conhecido por suas paisagens naturais e praias serenas na Costa Verde.
Detalhes do percurso e custos
Para realizar o trajeto, que totalizou 2 horas e 40 minutos, o casal utilizou uma combinação estratégica de modais de transporte público. O percurso incluiu trechos de metrô, o sistema BRT (Bus Rapid Transit) e, finalmente, dois ônibus urbanos que os levaram diretamente ao seu destino final. O custo total por pessoa para essa aventura foi de apenas R$ 26,65, um valor que desafia a percepção comum de que viajar para regiões turísticas exige grandes investimentos.
Rogério Rodrigues destacou a eficiência do transporte público em comparação com a alternativa de carro particular, um ponto frequentemente levantado por seus seguidores. “As pessoas contam que de carro não fazem metade do que a gente faz de transporte. Todas as viagens que fizemos usamos transporte público, em vários estados que já fomos”, afirmou Rogério, sublinhando a crença do casal na acessibilidade e praticidade dos serviços públicos. Ele ainda citou um exemplo de suas viagens a Salvador, onde possuem um “Salvadorcard” que recarregam a cada visita, demonstrando a consistência de sua abordagem em diferentes contextos e estados brasileiros. Essa metodologia não apenas poupa dinheiro, mas também oferece uma imersão mais autêntica na cultura local e nas paisagens que desbravam.
Mais que viagens: Uma história de paixão e superação
A história de Rogério e Elis vai além da simples demonstração de viagens baratas. É uma narrativa de amor, cumplicidade e a descoberta de uma paixão compartilhada que os impulsiona a explorar novos horizontes. Juntos há 11 anos, o casal já acumula uma impressionante marca de cerca de 30 viagens, muitas delas focadas em destinos dentro do Brasil, sempre priorizando a modalidade de transporte público.
O elo com a estrada e com Salvador
A paixão por desbravar novos lugares não é recente na vida de Elis Regina. Ela relembra suas primeiras experiências viajando na infância, acompanhando sua mãe, que era empregada doméstica, nas viagens a serviço de seus patrões. “Quando era mais nova, viajava com a minha mãe, que era empregada doméstica, e, conforme os patrões dela viajavam, eu ia junto. E depois adulta eu ia para outros lugares, sempre gostei”, conta Elis. A descoberta de um parceiro que compartilha dessa mesma energia e desejo de explorar o mundo foi um divisor de águas. “Encontrei uma pessoa que também gosta e onde puder ir a gente vai e, se Deus quiser, vamos sair do país”, expressa ela, com otimismo.
Entre todos os destinos explorados, Salvador ocupa um lugar especial no coração do casal, tendo sido visitada por eles dez vezes. “Já fomos 10 vezes a Salvador, é nosso lugar favorito no país. Praia de Itapuã é nosso recanto”, revela Rogério. Para ele, conhecer a capital baiana era um sonho de infância que demorou a se concretizar. “Desde criança eu sempre quis conhecer Salvador, mas isso só foi acontecer aos 47 anos. Levei todo esse tempo, mas me apaixonei e voltei todas essas vezes”, compartilha Rogério, demonstrando a profunda conexão que ambos sentem pela cidade e suas praias.
A origem dos vídeos: Memória, inspiração e o inesperado sucesso
A iniciativa de Rogério, conhecido como Roger, de registrar e compartilhar suas viagens em vídeos tem uma origem mais profunda do que um simples hobby ou o desejo de viralizar. Os vídeos se tornaram uma ferramenta essencial em sua jornada de recuperação e manutenção da saúde mental após enfrentar desafios significativos.
A motivação pessoal de Rogério
Roger relembrou que começou a gravar e editar vídeos após perceber algumas falhas de memória, sequelas de uma cirurgia cerebral. Ele havia sido diagnosticado com hidrocefalia depois de anos sofrendo com dores de cabeça intensas, culminando em um episódio de desmaio dentro de casa e uma queda que resultou em uma batida na cabeça. A decisão de documentar suas experiências de viagem surgiu como uma terapia. “Eu comecei a postar porque eu queria manter minha mente funcionando, para eu não ficar esquecido das coisas. Eu levava muito tempo editando, filmando, e isso me fazia bem, minha mente estava trabalhando. Foi por isso que eu comecei a postar”, explicou.
O impacto de sua condição foi um catalisador para a criação de conteúdo. “Eu nunca pensei que fosse algo sério, até o dia que eu apaguei dentro de casa e bati a cabeça”, lembrou. O propósito inicial dos vídeos era estritamente pessoal: manter-se ativo mentalmente. Contudo, para a surpresa de Roger, o conteúdo começou a viralizar, transformando uma ferramenta de autocuidado em uma fonte de inspiração para milhares. “É uma coisa muito nova, minha finalidade não era essa, mas é gratificante porque as pessoas se inspiram, as pessoas vêm me abraçar e falam que a gente incentiva eles. São dezenas de pessoas mandando mensagens de carinho. Nunca imaginei que fosse repercutir dessa forma. A gente curte a vida, e o melhor é saber que também estamos fazendo bem para as pessoas”, acrescentou Rogério, emocionado com o alcance de sua história e a capacidade de impactar positivamente a vida de outros.
A história de Rogério e Elis, com sua paixão por viagens acessíveis e a motivação por trás da criação de conteúdo, ressoa em um contexto mais amplo de busca por experiências significativas e econômicas. A viagem da Rocinha, localizada na populosa Zona Sul do Rio, até Muriqui, uma joia da Costa Verde fluminense, com seu custo irrisório e a duração de menos de três horas, destaca a interconectividade do estado e a eficácia de seus sistemas de transporte público, muitas vezes subestimados. A Costa Verde, conhecida por suas belezas naturais intocadas, praias e ilhas, torna-se um destino mais acessível para um público que, de outra forma, poderia considerá-lo fora de seu alcance financeiro. O sucesso viral do casal não apenas oferece dicas práticas para quem deseja economizar, mas também serve como um poderoso lembrete de que a aventura e a descoberta estão ao alcance de todos, independentemente do orçamento, e que as experiências mais enriquecedoras podem surgir de motivações pessoais inesperadas e profundas.
Fonte: https://g1.globo.com