A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, revelou na sexta-feira, 9, que teve conversas recentes com líderes do Brasil, Colômbia e Espanha para discutir o que ela define como uma "agressão criminosa, ilegal e ilegítima" por parte dos Estados Unidos. Em um contexto de crescente tensão diplomática, Rodríguez enfatizou a necessidade de unir esforços entre os países da região para enfrentar as consequências do que descreveu como um ataque militar que teve um impacto devastador sobre a população venezuelana.
Agressões e consequências
Durante suas declarações, Rodríguez apresentou um relato detalhado dos ataques armados contra a Venezuela, que teriam resultado na morte de mais de uma centena de civis e membros das forças armadas. Ela destacou ainda a violação do direito internacional, mencionando especificamente a suposta violação da imunidade pessoal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, ambos implicados em um ataque militar ocorrido em 3 de janeiro.
Violação de direitos internacionais
Rodríguez também acusou os EUA de desrespeitar normas internacionais e os direitos humanos ao realizar ações militares em território venezuelano, afirmando que essas atividades não apenas afetam a soberania do país, mas também colocam em risco a vida de milhares de cidadãos inocentes. A presidente interina enfatizou que a Venezuela não se calará frente a essas agressões e buscará formas de se defender através da diplomacia.
Reuniões com líderes da América Latina e Europa
No evento público realizado em Caracas, Delcy Rodríguez agradeceu a apoio dos líderes dos três países com os quais se reuniu. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou que seu país está a favor de uma transição pacífica na Venezuela e expressou o desejo de promover um diálogo construtivo com o governo venezuelano.
Colaboração no combate ao tráfico de drogas
Por sua vez, o presidente colombiano, Gustavo Petro, abordou a necessidade de cooperar no combate ao tráfico de drogas, um problema que afeta tanto a Colômbia quanto a Venezuela. A colaboração entre os dois países é vista como crucial para enfrentar desafios comuns, além de fortalecer laços regionais em um momento de crise.
Resposta do governo brasileiro
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também comentou sobre suas conversas com Delcy Rodríguez, condenando as ações dos EUA, que ele considera terem cruzado uma "linha inaceitável". Lula defendeu o diálogo como ferramenta essencial para resolver as tensões entre os países e manifestou apoio à soberania da Venezuela.
Possibilidade de reabertura das embaixadas
Rodríguez mencionou ainda que há discussões em andamento entre os governos da Venezuela e dos EUA sobre a possibilidade de reabrir as embaixadas, um passo que seria significativo para restaurar as relações diplomáticas e denunciar as agressões sofridas pela população venezuelana. A presidente interina afirmou que a resposta da Venezuela será pautada pela diplomacia, buscando evitar escaladas de conflito e priorizando abordagens pacíficas.
Esses diálogos refletem um esforço regional para enfrentar as adversidades impostas por ações externas, ao mesmo tempo em que buscam construir uma plataforma de colaboração entre os países da América Latina e da Europa. A situação na Venezuela continua a ser um ponto focal de debates sobre soberania, direitos humanos e a necessidade de uma solução pacífica para a crise política e social que afeta a nação.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br