O regime iraniano anunciou três dias de luto nacional pelos chamados 'mártires' dos confrontos ocorridos em meio a uma onda de protestos que abalaram o país. A declaração foi feita neste domingo, 11 de outubro, em um contexto de crescente violência e repressão contra os manifestantes que exigem mudanças no governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. Os protestos, que começaram há quase duas semanas, resultaram em um número alarmante de mortes e prisões, elevando a tensão entre a população e as forças de segurança.
Protestos e a resposta do governo
Relatos de ativistas indicam que os protestos contra o governo Khamenei resultaram em mais de 500 mortes, incluindo tanto manifestantes quanto membros das forças de segurança. O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, reportou que o número de mortos chega a 538. Além disso, mais de 10.670 pessoas foram presas durante as manifestações. A polícia, em resposta, intensificou sua atuação, descrevendo os confrontos como uma 'batalha de resistência nacional' contra o que consideram 'terroristas urbanos'.
Números alarmantes de mortes
As estimativas de mortes variam, mas organizações de direitos humanos afirmam que o número pode ser ainda maior. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) alertou para um 'massacre' em andamento, com relatos de corpos sendo acumulados em hospitais. A ONG norueguesa Direitos Humanos do Irã também destacou a possibilidade de que o número total de mortos chegue a até duas mil pessoas. A falta de comunicação e a restrição do acesso à internet dificultam a verificação de informações.
Acusações e retaliações
O governo iraniano não apenas enfrenta os protestos internos, mas também direciona suas críticas contra os Estados Unidos e Israel, acusando-os de incitar a violência. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu à população para evitar 'terroristas e badernistas' e acusou os países ocidentais de semear desordem. Em um tom belicoso, o parlamento iraniano ameaçou retaliações contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso houvesse uma intervenção militar.
Apoio internacional e posicionamentos
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu apoio aos manifestantes iranianos, afirmando que os procedimentos do governo iraniano não seriam tolerados. Em resposta, o governo iraniano se posiciona defensivamente, afirmando que a segurança nacional é uma prioridade inegociável. O cenário se complica com o diálogo entre autoridades americanas e israelenses, que discutem possíveis intervenções no contexto da crise iraniana.
Cenário atual e perspectivas
A situação no Irã continua a evoluir rapidamente, com um clima de tensão e incerteza. O governo tenta manter o controle através de medidas repressivas, enquanto os protestos refletem um descontentamento generalizado com as políticas do regime. Com a declaração de luto e a convocação de marchas de resistência nacional, o governo busca consolidar sua posição, ainda que a população permaneça mobilizada em busca de mudanças. O futuro do país é incerto, com a possibilidade de mais confrontos e um desgaste crescente entre a população e as autoridades.
Fonte: https://g1.globo.com