A Gigante Empreendimentos Imobiliários, proprietária do helicóptero utilizado pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar em compromissos oficiais, tem se destacado no mercado imobiliário do Rio de Janeiro com investimentos que somam cerca de R$ 25 milhões em terrenos de alto padrão. Os investimentos da empresa incluem a aquisição de imóveis à beira-mar em Mangaratiba e Arraial do Cabo, ambas localidades valorizadas da Costa Verde e Região dos Lagos. O caso ganhou notoriedade após a revelação de que o helicóptero foi utilizado em viagens oficiais, levantando questões sobre a ética e a legalidade das relações entre o poder público e o setor privado.
Investimentos imobiliários significativos
Os investimentos da Gigante Empreendimentos Imobiliários incluem três terrenos em um dos condomínios mais luxuosos de Mangaratiba e um terreno em Arraial do Cabo. Juntas, essas propriedades totalizam mais de 3.700 metros quadrados em áreas privilegiadas, com grande potencial de valorização. A empresa tem se mostrado ativa no mercado, buscando expandir seu portfólio por meio de aquisições estratégicas.
A compra e sua repercussão
Em abril do ano passado, a empresa adquiriu terrenos à beira-mar em Mangaratiba por R$ 12 milhões, enquanto em setembro do mesmo ano, investiu outros R$ 13 milhões em um terreno em Arraial do Cabo. A compra dos terrenos em Mangaratiba foi realizada enquanto Monaliza Santos de Vasconcelos, uma faxineira beneficiária do Bolsa Família, ainda era a única sócia da empresa, levantando especulações sobre a origem dos recursos e a gestão da empresa.
Questões éticas e legais
A utilização do helicóptero da Gigante Empreendimentos por Rodrigo Bacellar durante seu período como governador em exercício trouxe à tona preocupações sobre conflitos de interesse e a ética no serviço público. De acordo com o Código de Conduta do Estado, é proibido que governadores aceitem transporte ou favores de particulares, o que suscita questionamentos sobre a integridade das ações de Bacellar.
Opiniões de especialistas
O especialista em direito público, Luís Vale, comentou sobre a situação, destacando que todos os agentes públicos devem priorizar os interesses da coletividade e evitar qualquer confusão entre interesses públicos e privados. Para ele, a falta de transparência nas ações de Bacellar compromete a confiança da sociedade nas instituições públicas.
Mudanças na administração da empresa
Após a repercussão das reportagens, a Gigante Empreendimentos registrou uma mudança significativa em sua administração. Monaliza Santos de Vasconcelos deixou o quadro societário e foi substituída pelo advogado Daniel Tadeu Costa da Rocha. A mudança levanta perguntas sobre a real gestão da empresa e seu funcionamento, especialmente considerando que seu endereço comercial era uma sala vazia em um prédio na zona norte de São Paulo.
Atividades adicionais da empresa
Além do setor imobiliário, a Gigante Empreendimentos tem registrado atividades relacionadas à extração de minerais, conforme apontado em sua ficha cadastral na Receita Federal. Em Itupeva, foram identificadas escavações e equipamentos associados a operações mineradoras, levantando ainda mais questões sobre a complexidade das operações da empresa.
Reações e investigações
Até o momento, o governo do Rio de Janeiro não se manifestou sobre a abertura de investigações a respeito da conduta de Rodrigo Bacellar. A Ispar Iskin Participações, empresa vendedora dos imóveis em Mangaratiba, declarou que a transação foi realizada de forma regular. O advogado Daniel Tadeu Costa da Rocha, novo administrador da Gigante, afirmou que a empresa cumpre todos os requisitos legais, embora não tenha respondido a questionamentos específicos sobre sua relação com Bacellar.
Enquanto isso, a antiga proprietária Monaliza Santos de Vasconcelos não foi localizada para comentar sobre a situação da empresa. O caso continua a gerar interesse e debate público, especialmente em relação à transparência e à ética nas relações entre o setor público e privado.
Fonte: https://g1.globo.com