Uma mulher, identificada como Jéssica Carvalhães, denunciou ter sofrido queimaduras nas costas após passar por uma cesariana no Hospital Geral de Arraial do Cabo, localizado na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Quase um mês após o incidente, Jéssica afirma que não recebeu qualquer tipo de auxílio ou acompanhamento por parte da prefeitura local, o que a deixou em uma situação de vulnerabilidade e desamparo. O caso levanta questionamentos sobre a responsabilidade das instituições de saúde em oferecer suporte aos pacientes após complicações cirúrgicas.
O relato da paciente
Jéssica Carvalhães deu entrada no hospital no dia 4 de janeiro, apresentando um quadro de pressão alta. Após a cesariana, ela foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia seguinte à cirurgia, começou a sentir uma intensa queimação nas costas e imediatamente notificou a equipe de enfermagem. Durante um banho no leito, foram observadas bolhas na região afetada, mas, segundo a paciente, não foram tomadas medidas imediatas para tratar a situação.
Transferência e diagnóstico
Diante da dor persistente, Jéssica foi transferida para a maternidade, onde a equipe médica identificou as lesões em suas costas. Inicialmente, ela foi orientada a evitar o contato com seu recém-nascido e a amamentação, sob a suspeita de que as lesões poderiam ser causadas por herpes. No entanto, no dia seguinte, uma nova avaliação descartou essa hipótese e as queimaduras passaram a ser tratadas com pomadas e antibióticos.
A falta de apoio da prefeitura
Jéssica Carvalhães expressou sua frustração ao afirmar que, desde o ocorrido, não recebeu qualquer explicação sobre a causa das queimaduras e que não houve acompanhamento por parte da prefeitura. A paciente se sente desamparada e sem apoio em um momento que deveria ser de cuidado e recuperação após a cirurgia.
Resposta da Secretaria Municipal de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde de Arraial do Cabo, ao ser procurada, afirmou que tinha conhecimento do caso e que a situação foi comunicada à direção do hospital para uma investigação minuciosa. Em nota, a secretaria explicou que durante o procedimento cirúrgico foram utilizados equipamentos compatíveis com os protocolos técnicos, incluindo bisturi elétrico. Além disso, a pasta destacou que, em situações raras, podem ocorrer intercorrências relacionadas a procedimentos cirúrgicos, ocasionadas por diversos fatores, como o suor da pele.
Acompanhamento e descontentamento
A secretaria garantiu que Jéssica recebeu assistência imediata e contínua, com alta hospitalar apenas após avaliação médica. No entanto, a paciente contestou essa afirmação, alegando que não houve retorno ou acompanhamento adequado por parte das autoridades de saúde. A secretaria também mencionou que não havia registros de reclamações ou denúncias feitas pela paciente nos canais oficiais da rede municipal de saúde, o que levanta questões sobre a comunicação entre os pacientes e as instituições de saúde.
O caso de Jéssica Carvalhães expõe a fragilidade do sistema de saúde em situações de complicações cirúrgicas e a importância de um acompanhamento adequado para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes. A falta de apoio e a ausência de comunicação efetiva podem agravar ainda mais a situação de vulnerabilidade enfrentada por aqueles que buscam cuidados médicos.
Fonte: https://g1.globo.com