A passagem de Rafah, localizada na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, registrou uma movimentação significativa neste domingo, dia 1º de outubro, à medida que se aproxima sua reabertura para civis, programada para amanhã. A reabertura é um passo crucial no contexto do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que se encontra em andamento. Após anos de isolamento quase total, a reativação desse ponto de passagem é vista como uma oportunidade para aliviar a situação humanitária na região, que tem enfrentado severas restrições.
Preparativos para a reabertura
Neste domingo, caminhões carregados com ajuda humanitária e ambulâncias formaram filas à espera de passagem pela fronteira. O órgão militar israelense responsável pelo controle da entrada de ajuda em Gaza, conhecido como COGAT, informou que a passagem estava sendo preparada para uma operação mais ampla, permitindo que moradores da região comecem a atravessar a fronteira na segunda-feira. Essa preparação é vista como um indicativo do comprometimento das partes envolvidas em facilitar a entrada de assistência humanitária em Gaza.
O papel da passagem de Rafah
A passagem de Rafah, situada ao sul da Faixa de Gaza, é crucial para o trânsito de pessoas e bens entre Gaza e o Egito. Desde sua tomada por Israel em maio de 2024, o local permaneceu em grande parte fechado, tornando-se a única saída da Faixa de Gaza que não depende de Israel. A reabertura foi solicitada por organismos internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas, que destacaram a necessidade urgente de permitir a entrada de ajuda em um território devastado por conflitos prolongados.
Limitações na passagem
Israel anunciou que a reabertura da passagem será restrita ao trânsito de habitantes da Faixa de Gaza. O COGAT esclareceu que o retorno de moradores que se encontram no Egito será permitido apenas para aqueles que deixaram Gaza durante o conflito e com autorização prévia de segurança concedida por Israel. Esta medida visa controlar o fluxo de pessoas e garantir que a segurança seja mantida durante a reabertura.
Expectativas para pacientes e civis
Cerca de 20 mil palestinos, incluindo crianças e adultos, aguardam atendimento médico e a possibilidade de deixar Gaza através da passagem de Rafah. Israel afirmou que permitirá a saída de até 50 pacientes por dia, permitindo que cada um deles seja acompanhado por dois parentes. Além disso, aproximadamente 50 pessoas que deixaram Gaza durante o conflito poderão retornar diariamente. Essa abordagem, segundo autoridades, pode ser expandida com o tempo, dependendo do sucesso do sistema de triagem estabelecido junto com o Egito.
Contexto do cessar-fogo
A reabertura da passagem ocorre em um momento delicado, logo após uma série de ataques aéreos israelenses que resultaram na morte de pelo menos 30 palestinos, incluindo crianças. Esses bombardeios marcaram um dos piores episódios desde o início do cessar-fogo, que teve início em outubro. O cenário atual é resultado de negociações complexas, onde Israel condicionou a reabertura da passagem à recuperação do corpo do último refém israelense em Gaza, o que foi feito recentemente.
Desafios humanitários em Gaza
Além das dificuldades relacionadas à passagem, a situação humanitária em Gaza continua a ser uma preocupação primordial. O Ministério da Diáspora de Israel anunciou que está avançando para encerrar as operações da organização Médicos Sem Fronteiras na região, levantando questionamentos sobre a continuidade da assistência médica. A suspensão das atividades da organização ocorreu após a recusa em cumprir novas exigências de registro impostas por Israel, que poderiam comprometer a segurança de sua equipe local. A interrupção das operações de organizações humanitárias pode agravar ainda mais a crise enfrentada pela população de Gaza.
Fonte: https://g1.globo.com