Rússia e Estados Unidos estão em negociações intensas para a possível extensão do New START, um tratado crucial que limita os arsenais nucleares das duas potências. Com a expiração oficial do acordo prevista para esta quinta-feira, mais de 80% das ogivas nucleares do mundo podem ficar sem qualquer limitação, aumentando a preocupação em relação à corrida armamentista global. A urgência das conversas surge em um momento em que o clima de tensão entre as nações é elevado, especialmente devido à guerra na Ucrânia e aos desdobramentos geopolíticos que a cercam.
Negociações em andamento
As conversas sobre a extensão do New START ganharam força nas últimas horas. Fontes informaram que um rascunho de acordo já está em discussão, mas ainda depende da aprovação final dos presidentes Joe Biden e Vladimir Putin. Embora o tratado expire formalmente, um funcionário do governo dos EUA indicou que a prorrogação não será imediatamente formalizada, mas ambos os países concordaram em respeitar temporariamente os termos do antigo acordo enquanto buscam um novo entendimento.
Histórico das negociações
As recentes negociações foram impulsionadas por discussões paralelas em Abu Dhabi, onde representantes do governo dos EUA abordaram o tema com autoridades russas. Esse contexto de diálogo se intensificou em meio a uma crise geopolítica, com a guerra na Ucrânia como pano de fundo. A interação entre os dois países neste cenário sugere uma tentativa de minimizar os riscos de uma escalada nuclear.
Reações à possível extinção do tratado
A possibilidade de não renovação do New START gerou alarmes internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como 'grave', apontando que a dissolução de décadas de acordos de controle de armas poderia ocorrer em um momento crítico. Guterres sublinhou que o risco de um conflito nuclear está no seu nível mais elevado das últimas décadas, o que reforça a urgência de um novo acordo entre as potências nucleares.
Posição dos EUA e da Rússia
O presidente russo, Vladimir Putin, ao se manifestar sobre o assunto, declarou que a Rússia não estaria mais 'vinculada' a limites nucleares, sinalizando uma liberdade para decidir seus próximos passos. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçou a incerteza ao afirmar que o futuro das negociações depende de como os eventos se desenrolarão nos próximos dias.
Desafios em incluir a China
Embora o ex-presidente Donald Trump tenha manifestado apoio à extensão dos limites nucleares, ele também defendeu a inclusão da China em um novo tratado. No entanto, a resposta da China foi negativa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, argumentou que o arsenal nuclear do país é 'de uma escala totalmente diferente' em comparação com os EUA e a Rússia, indicando que a China não se envolverá em negociações de desarmamento neste momento.
Crescimento do arsenal nuclear chinês
Apesar de possuir um arsenal menor, a China tem experimentado um crescimento acelerado em seu programa nuclear. Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) indicam que a China está adicionando cerca de 100 novas ogivas nucleares por ano. Essa expansão torna ainda mais complexa a dinâmica das negociações de controle de armas, já que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que um controle efetivo seria 'impossível' sem a participação chinesa.
Histórico do New START
O New START, assinado em 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, estabeleceu limites para 1.550 ogivas nucleares por país, além de restrições a mísseis e bombardeiros. O tratado, que teve sua duração inicialmente prevista para até 2021, foi prorrogado por cinco anos, mas as inspeções para verificar o cumprimento das regras foram suspensas em 2020 devido à pandemia de covid-19 e não foram retomadas. Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação da Rússia no acordo, citando tensões com a Otan e os EUA, embora a Rússia não tenha se retirado formalmente do pacto.
Com a expiração do New START, que representa o último de uma série de tratados nucleares entre os EUA e a Rússia, o Relógio do Juízo Final avançou para o ponto mais próximo da meia-noite já registrado, simbolizando a crescente preocupação com a possibilidade de uma catástrofe global.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br