O Carnaval do Rio de Janeiro, conhecido por sua alegria e celebração, também traz à tona questões sérias relacionadas à segurança das mulheres. Em resposta a esse desafio, a Secretaria Estadual da Mulher implementou uma força-tarefa que visa treinar profissionais ligados a bares, restaurantes, eventos e camarotes para combater o assédio sexual durante a festividade. Com a campanha "Não é não" como bandeira, a iniciativa busca não apenas sensibilizar os participantes, mas também criar um ambiente seguro e acolhedor para todas as foliãs.
Força-tarefa e treinamento
A força-tarefa, que começou a ser estruturada no ano anterior, tem como objetivo capacitar os profissionais que atuam em grandes eventos, de modo que possam identificar situações de risco e acolher possíveis vítimas de assédio. Essa formação é obrigatória, conforme um decreto estadual que visa garantir segurança durante as festividades. Durante os treinamentos, os participantes aprendem a reconhecer sinais de assédio e a orientar as mulheres sobre como buscar ajuda.
Apoio de diversas entidades
A ação conta com a colaboração de várias entidades, incluindo a Polícia Militar, a Liga das Escolas de Samba e empresários do setor de entretenimento. Camarotes na Marquês de Sapucaí também se uniram à campanha, enfatizando a importância de um ambiente seguro para todos os participantes. Gabriella Aranha, uma das coordenadoras de comunicação, destacou que a responsabilidade deve ser compartilhada entre todos os envolvidos na festividade.
Cenário preocupante
A mobilização ocorre em um contexto alarmante. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revelou que 80% das mulheres entrevistadas relatam receio de sofrer assédio durante o Carnaval. Além disso, metade das participantes da pesquisa afirmou ter sido vítima de assédio em algum momento, frequentemente durante a festa. Esses dados evidenciam a necessidade urgente de ações concretas para garantir a segurança das foliãs.
Vozes do carnaval
Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão da Bola Preta, um dos blocos mais tradicionais do Rio, também se juntou à campanha. Ele utiliza o carro de som do bloco para reforçar a mensagem de respeito à vontade das mulheres, lembrando que o carnaval deve ser um espaço de alegria, mas também de respeito. "Carnaval é alegria, beijo, namorar, ser feliz, mas sempre respeitando a vontade da mulher. Não é não", afirmou.
Patrulha Maria da Penha e conscientização
A Patrulha Maria da Penha, uma unidade da polícia voltada para a proteção de mulheres, também estará presente durante os eventos. A major Bianca Ferreira informou que as equipes estarão distribuindo material informativo e promovendo a conscientização do público. "Onde tiver Carnaval, vai ter orientação para que a gente tenha uma festa mais segura", garantiu.
Importância do treinamento para comerciantes
Para os comerciantes, a capacitação dos profissionais é vista como uma transformação significativa na cultura do atendimento. Felipe Trotta, proprietário de um bar próximo ao Maracanã, enfatizou que a antiga ideia de que "o cliente sempre tem razão" deve ser revista. Ele defende que é fundamental proporcionar um ambiente seguro e acolhedor para as mulheres. "A gente precisa garantir um espaço seguro e acolhedor para as mulheres", afirmou.
Ação coletiva no combate ao assédio
A campanha sublinha que o combate ao assédio é uma responsabilidade compartilhada. Pedro Silva, vice-presidente da Liga RJ, reforçou a ideia de que se trata de uma rede de proteção que depende da colaboração de toda a sociedade. A união de esforços entre entidades, comerciantes, e a própria população é essencial para garantir que o Carnaval de 2026 seja uma celebração de alegria, respeito e segurança para todos.
Fonte: https://g1.globo.com