Na noite de segunda-feira, a comunidade de Manguinhos, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi palco de uma tragédia que chocou os moradores locais. Eliete Alexandre dos Santos, de 67 anos, faleceu após uma tentativa desesperada de resgate durante um forte temporal que alagou sua residência. A situação precária e a falta de assistência médica imediata levantaram questões sobre a eficácia dos serviços de emergência em áreas afetadas por desastres naturais. A família de Eliete enfrentou uma luta angustiante para salvar a vida da idosa, que já apresentava problemas de saúde, incluindo hipertensão. O relato dos acontecimentos revela uma realidade alarmante para muitas comunidades vulneráveis.
O drama de Eliete
A tragédia começou quando a casa de Eliete, localizada no Beco do Teteu, foi invadida pelas águas da chuva. Com o nível da água subindo rapidamente, a idosa decidiu buscar abrigo na casa de um filho, situada a apenas dez metros de distância. No entanto, a nova residência também começou a ser alagada, levando Eliete e seu filho a tentarem se deslocar para a casa de uma filha na mesma comunidade. Infelizmente, o tempo foi insuficiente e Eliete começou a passar mal devido à pressão alta.
Tentativas de socorro
Os familiares de Eliete tentaram contatar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas foram informados de que não havia condições de enviar uma equipe devido aos alagamentos. Diante da falta de socorro oficial, a família fez uma primeira tentativa de usar uma piscina inflável como bote, mas a ideia falhou. A solução veio com a ajuda de um barco que estava resgatando outros moradores, permitindo que Eliete fosse levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos.
Chegada à UPA e falecimento
Ao chegar à UPA, Eliete estava em estado crítico, desfalecendo e apresentando sintomas de choque térmico. Apesar dos esforços da equipe médica para reanimá-la, a idosa não sobreviveu. O atestado de óbito indicou que a causa da morte foi um choque cardiogênico, uma condição em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente. As filhas de Eliete, que acompanharam o desespero da situação, lamentaram a falta de socorro adequado e expressaram sua indignação quanto ao ocorrido.
A vida de Eliete
Eliete trabalhou como auxiliar de serviços gerais, tendo seu último emprego em uma fábrica de bolos em 2022. Com problemas de saúde, ela teve que deixar o trabalho e estava em busca de um Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAs) após ter seu pedido de aposentadoria negado pelo INSS. A família contava com o pagamento retroativo do benefício para se mudar para uma casa mais segura, pois Eliete havia perdido diversos móveis e eletrodomésticos em decorrência das chuvas constantes na região.
Sepultamento e repercussão
O sepultamento de Eliete está marcado para a tarde da quarta-feira no Cemitério da Penitência, localizado no Caju. A situação gerou uma onda de solidariedade na comunidade, mas também trouxe à tona a discussão sobre a adequação dos serviços de emergência em áreas vulneráveis. A coordenação da UPA Manguinhos informou que Eliete chegou à unidade já em parada cardiorrespiratória e que, apesar dos esforços, não foi possível reverter seu quadro. A ausência de sinais de causas externas levou à liberação do corpo, conforme os procedimentos protocolares.
Este caso evidencia a fragilidade do sistema de saúde em situações de emergência e a necessidade de melhorias nos serviços de atendimento em áreas propensas a desastres naturais. A busca por soluções e apoio às comunidades vulneráveis se torna cada vez mais urgente, especialmente diante de eventos climáticos extremos que afetam a vida de tantas pessoas.
Fonte: https://extra.globo.com