O governo federal anunciou um investimento de R$ 131,9 milhões para a recuperação e ampliação da rede de saúde pública nos 11 municípios do Espírito Santo afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em 2015. A medida visa melhorar a infraestrutura de saúde e fortalecer os serviços oferecidos à população local, que sofreu as consequências do desastre ambiental. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os recursos são provenientes de um acordo judicial com as empresas responsáveis pelo incidente, refletindo um esforço conjunto para restaurar a saúde pública na região.
Recursos e plano de ação
Os R$ 131,9 milhões destinados à saúde pública capixaba são parte de um acordo judicial firmado entre o governo e as empresas Samarco, Vale e BHP, responsáveis pelo desastre. Alexandre Padilha ressaltou que essa ação faz parte do "Novo Acordo do Rio Doce", que inclui uma série de iniciativas voltadas para a reestruturação da saúde na região. O plano contempla ações estruturantes, com ênfase na melhoria da infraestrutura, vigilância em saúde, saúde digital, ensino e formação profissional.
Investimentos na infraestrutura de saúde
O maior montante do investimento, cerca de R$ 82,55 milhões, será utilizado para expandir a infraestrutura de saúde nos municípios atingidos. Entre as principais iniciativas está a construção de um novo complexo hospitalar em Colatina, que terá um papel fundamental no atendimento à saúde da população local. Além disso, estão previstas a criação de quatro novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), dois centros de especialidades odontológicas e a aquisição de equipamentos para dois centros especializados em reabilitação.
Benefícios para a população
Os recursos destinados à saúde pública beneficiarão diretamente a população de municípios como Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama. O complexo hospitalar em Colatina, em particular, terá um foco importante no acompanhamento de doenças crônicas que podem ter surgido devido à contaminação da água. Os serviços de saúde também incluirão cirurgias eletivas e acompanhamento de pessoas com desenvolvimento atípico.
Vigilância ambiental e toxicológica
Além da ampliação da infraestrutura, o plano também prevê o fortalecimento da vigilância ambiental e toxicológica no Espírito Santo. Para isso, será feita a reestruturação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que terá um papel crucial na análise de metais pesados e na avaliação de matrizes ambientais. A expansão das equipes de vigilância ambiental, epidemiológica e saúde do trabalhador também está entre as ações planejadas, visando garantir a saúde e segurança da população afetada.
Compromisso do governo estadual
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, participou da cerimônia de assinatura que oficializou a liberação dos recursos federais. Em suas declarações, Casagrande enfatizou que a estrutura de saúde será reforçada em todos os municípios que sofreram com o desastre, permitindo a oferta de serviços essenciais e cirurgias necessárias. O governo estadual se comprometeu a garantir um atendimento de qualidade para as populações mais vulneráveis, com foco em condições de saúde específicas, como doenças hematológicas e hipertensão.
A medida representa um passo significativo na recuperação das comunidades afetadas pelo desastre de Mariana, buscando minimizar os impactos negativos na saúde pública e promovendo um futuro mais seguro e saudável para a população capixaba.