Na madrugada do último sábado, a escola de samba União de Maricá fez sua estreia na Marquês de Sapucaí, com um enredo que homenageia a força, a memória e a ancestralidade da mulher negra. O desfile, realizado com o apoio da Prefeitura de Maricá, foi prestigiado pelo prefeito Washington Quaquá, que ressaltou a importância do evento para a cidade. A apresentação contou com um espetáculo de drones, que complementou a narrativa visual da performance na avenida, trazendo um toque inovador ao Carnaval.
Enredo e temática
O enredo da União de Maricá foi estruturado em três setores principais: 'Negra Bahia', 'Joias: Memória Ancestral' e 'Berenguendéns e Balangandãs'. Cada um desses segmentos trouxe à tona elementos significativos da cultura afro-brasileira, ressaltando a relevância das mulheres negras na história e na cultura do país. O prefeito Quaquá, que também é presidente de honra da escola, destacou que a agremiação busca revolucionar o Carnaval no século 21, assim como a Beija-Flor de Nilópolis fez na década de 1970.
Primeiro setor: Negra Bahia
O primeiro setor, denominado 'Negra Bahia', fez uma viagem no tempo, trazendo à tona a Bahia durante o período escravocrata. A narrativa focou no cotidiano das mulheres negras que, mesmo em condições adversas, transformaram seu trabalho em patrimônio cultural coletivo. A comissão de frente, elaborada pelo coreógrafo Patrick Carvalho, e o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Fabrício Pires e Giovanna Justo, foram alguns dos destaques dessa parte do desfile, que evidenciou o talento e a dedicação dos componentes da escola.
Exploração da ancestralidade
Seguindo para o segundo setor, 'Joias: Memória Ancestral', a escola aprofundou a análise das influências que moldam o balangandã. Esse segmento trouxe elementos que refletem as heranças africanas, a influência portuguesa e a dimensão ritual dos metais, simbolizando a riqueza cultural das comunidades afro-brasileiras. A apresentação buscou destacar como esses elementos se entrelaçam na identidade e no cotidiano das mulheres negras.
Terceiro setor: Berenguendéns e Balangandãs
No terceiro setor, 'Berenguendéns e Balangandãs', os penduricalhos foram apresentados como símbolos de luxo e proteção, além de representarem a emancipação e a identidade. O balangandã, em particular, foi destacado como um objeto que, além de sua estética, servia como uma 'poupança' que possibilitava alforrias e novos começos para muitas mulheres. Essa abordagem trouxe uma nova perspectiva sobre a importância desses adereços na cultura afro-brasileira.
O samba-enredo e a apresentação
O samba-enredo da União de Maricá, assinado por um grupo de compositores, incluindo Babby do Cavaco e Marcelo Adnet, foi interpretado por Zé Paulo Sierra, enquanto a bateria foi comandada por Mestre Paulinho Steves. A rainha de bateria, Rayane Dumont, representou as 'joias da princesa', em uma fantasia que simbolizava a riqueza e a força da mulher negra. A apresentação foi um verdadeiro espetáculo, misturando música, dança e uma forte mensagem social.
Acidente durante o desfile
Infelizmente, a festa foi marcada por um incidente envolvendo o último carro alegórico da União de Maricá. A Prefeitura expressou seu pesar pelo ocorrido e manifestou solidariedade aos componentes da escola e aos profissionais envolvidos. A administração municipal afirmou que está acompanhando a situação e se coloca à disposição para ajudar no que for necessário. Apesar do acidente, o desfile foi um marco para a escola e para a cidade de Maricá, que se destaca cada vez mais no cenário do Carnaval carioca.
Fonte: https://www.marica.rj.gov.br