A liquidação extrajudicial do Banco Pleno resultou em um aumento significativo no rombo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que agora ultrapassa a marca de R$ 50 bilhões. Este cenário se agrava com o processo de reembolso de credores do Master e do Will Bank, especialmente após o anúncio do Banco Central. De acordo com dados do FGC, o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores elegíveis, totalizando R$ 4,9 bilhões em garantias a serem pagas. Este montante se somará aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, resultando em um total de R$ 51,8 bilhões. É importante ressaltar que essa cifra não inclui as linhas emergenciais que o FGC ativou no ano anterior, em resposta às dificuldades de liquidez do conglomerado Master.
Impacto da liquidação do Banco Pleno
A liquidação do Banco Pleno vem se somar a uma situação já delicada enfrentada pelo FGC, que, até o momento, havia pago R$ 37 bilhões em garantias aos credores do Master, abrangendo mais de 90% do total. A situação se complica ainda mais com o aumento do número de credores e os valores a serem reembolsados. O FGC, que possui um patrimônio estimado em R$ 160 bilhões, tem cerca de R$ 125 bilhões disponíveis para uso imediato, mas a pressão financeira se intensifica com essa nova liquidação.
Estratégias de recomposição do FGC
Em resposta a essa crise, o Conselho do Fundo aprovou um plano de recomposição que envolve o adiantamento de cinco anos de contribuições dos bancos. A proposta inclui mais duas antecipações em 2027 e 2028, totalizando sete anos de contribuições adiantadas. Além disso, planeja-se um aumento extraordinário de 30% a 60% nas mensalidades que as instituições financeiras pagam ao FGC. Essa estratégia visa garantir a sustentabilidade do fundo frente às exigências crescentes de reembolso.
Reações dos bancos e propostas de ajuda
Os bancos, por sua vez, buscam alternativas para contribuir com a recuperação do FGC. Uma das propostas em discussão é a possibilidade de redirecionar recursos de compulsórios bancários para auxiliar na reestruturação do fundo. No entanto, essa iniciativa depende da aprovação do Banco Central, que ainda não se pronunciou sobre a questão. A colaboração entre as instituições financeiras é crucial para mitigar os efeitos da liquidação do Banco Pleno e das demais instituições em dificuldades.
Pagamentos antecipados e prazos
O FGC também tomou a decisão de antecipar o pagamento de investidores do Will Bank que possuem até R$ 1 mil a receber, com um custo estimado de R$ 200 milhões. Contudo, os demais investidores terão que aguardar até que o liquidante finalize a consolidação da base total de credores. O Will Bank, que fazia parte do conglomerado Master, teve sua liquidação decretada apenas em janeiro, após a venda do Banco Pleno em 2025 para um ex-sócio do Master.
Cenário futuro do fundo garantidor
O aumento do rombo no FGC e as novas liquidações em processo reforçam a necessidade de um planejamento robusto e ações efetivas para estabilizar o fundo. O futuro do FGC dependerá não apenas das medidas adotadas pelos bancos, mas também da resposta do Banco Central. A situação exige um monitoramento contínuo e a implementação de políticas que garantam a confiança dos investidores e a proteção dos credores em um cenário de crescente incerteza no sistema financeiro.
Fonte: https://odia.ig.com.br