O curling, conhecido por sua ética esportiva e a honestidade de seus praticantes, ganhou destaque nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina devido a um incidente de trapaça envolvendo o atleta canadense Marc Kennedy. Durante uma partida entre Canadá e Suécia, realizada em 13 de fevereiro, Kennedy foi acusado de violar as regras ao tocar a pedra após seu lançamento, uma ação considerada irregular. Em meio à polêmica, a World Curling, entidade que regula o esporte, revisou seus protocolos de avaliação, aumentando a vigilância sobre as jogadas. Esta situação levanta questões sobre a ausência de árbitros de forma contínua na modalidade e suas implicações nas competições.
O incidente de trapaça em Milão-Cortina
A controvérsia começou quando Marc Kennedy, após lançar a pedra, supostamente tocou novamente no granito, o que fere as regras do curling. Apesar de reconhecer que pode ter cometido 'pequenas infrações', ele não negou a ação e a partida resultou em vitória para o Canadá, com um placar de 8 a 6. A situação se agravou quando a equipe suíça, que enfrentou o Canadá e venceu por 9 a 5, também acusou Kennedy de trapaça. O jogador suíço Pablo Lachat-Couchepin afirmou que a infração foi visível e que, na presença do árbitro, era esperado que a situação fosse avaliada. Kennedy, por sua vez, se mostrou indignado com as acusações, defendendo sua integridade após 25 anos de competições.
Mudanças nas regras de arbitragem
Em resposta às acusações, a World Curling implementou um novo protocolo de avaliação, onde árbitros agora devem observar as jogadas de uma equipe por três entradas caso uma infração seja notificada pela equipe adversária. Essa mudança visa aumentar a transparência e a confiança nas competições, uma vez que a natureza do curling tradicionalmente depende da honestidade dos jogadores para monitorar suas ações.
A tradição da autoarbitragem no curling
A prática do curling é marcada pela ausência de árbitros ativos durante a maior parte do jogo. Os próprios atletas são responsáveis por monitorar as jogadas, decidir sobre a contagem de pontos e confessar quaisquer irregularidades. Essa autoarbitragem é uma tradição que reflete a ética esportiva do curling, onde a integridade dos competidores é fundamental. Os árbitros apenas intervêm em situações específicas, como medições de distância entre pedras, o que pode gerar debates sobre a eficácia desse sistema em eventos de alta pressão como os Jogos Olímpicos.
Opinião dos atletas sobre a revisão por vídeo
Diante da polêmica, alguns atletas, como o escocês Hammy McMillan Jr, sugeriram a implementação de tecnologia de revisão, como o VAR ou o Hawk-Eye, para modernizar o esporte. Segundo McMillan, essa mudança poderia permitir que equipes desafiassem decisões controversas, aumentando a precisão nas arbitragens e mantendo a integridade do jogo. A proposta reflete uma necessidade crescente de adaptação às novas demandas e à evolução do esporte.
O andamento das competições de curling
As competições de curling nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina seguem em andamento até o dia 22 de fevereiro. No torneio masculino, o Canadá, liderado por Marc Kennedy, avançou para a final, onde enfrentará a Grã-Bretanha em busca da medalha de ouro. Enquanto isso, a Suíça e a Noruega competem pelo bronze. No torneio feminino, a Suécia e o Canadá estão nas semifinais, disputando uma vaga na grande final, com Estados Unidos e Suíça brigando pela outra posição. Além disso, os irmãos Isabella e Rasmus Wranå, da Suécia, conquistaram o ouro nas duplas mistas, ao vencerem a equipe dos Estados Unidos por 6 a 5, enquanto a Itália ficou com a medalha de bronze.
Fonte: https://www.estadao.com.br