Em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, um projeto inovador está transformando o cenário local ao oferecer uma oficina gratuita de criação de biojoias voltada para mulheres caiçaras. Realizada nos dias 9 e 10 de março, a iniciativa, chamada "Arte e Cavalos-Marinhos", foi promovida pelo Projeto Cavalos-Marinhos em parceria com a Secretaria Municipal de Pesca. A oficina ensinou técnicas para transformar materiais de descarte da pesca em peças artesanais, como brincos e colares, contribuindo para a geração de renda e a valorização dos recursos naturais da região. Nova edição da oficina está prevista para o segundo semestre em Búzios.
Oficina de biojoias
A oficina de biojoias reuniu pescadoras locais, proporcionando um espaço de aprendizado e criatividade. As participantes tiveram a oportunidade de confeccionar flores e ornamentos a partir de escamas de peixes, um material que, muitas vezes, é descartado. A coordenadora-geral do Projeto Cavalos-Marinhos, Natalie Freret-Meurer, enfatizou que a atividade não apenas oferece novas oportunidades econômicas, mas também promove a sustentabilidade. "Usamos escamas que já fazem parte do processo da pesca. Isso abre caminhos econômicos, fortalece as mulheres caiçaras e incentiva o uso sustentável dos recursos do mar, alinhado ao conceito de economia azul", afirmou.
Objetivos e impactos
O Projeto Cavalos-Marinhos não se limita apenas à criação de biojoias. Ele combina pesquisa científica, educação ambiental e ações voltadas à geração de renda para as comunidades pesqueiras. Nos últimos dois anos, mais de 2 mil moradores da Baía de Guanabara participaram de diversas atividades do projeto, incluindo exposições e ações de sensibilização sobre a preservação do meio ambiente. Além disso, cerca de 850 crianças tiveram acesso a experiências educativas no Espaço Educativo Cavalos-Marinhos, localizado no Rio de Janeiro.
Ações de conservação e pesquisa
O projeto, que atua há mais de vinte anos, é focado na conservação dos cavalos-marinhos e seus ecossistemas. Desde 2023, o trabalho é apoiado pelo Programa Petrobras Socioambiental, que incentiva projetos de conservação marinha, educação ambiental e fortalecimento da economia azul. Em 2024, o programa já impactou cerca de dois milhões de pessoas, reforçando a importância da conservação e do desenvolvimento sustentável na região.
Monitoramento das populações
A equipe de biólogos do projeto realiza um monitoramento contínuo das populações de cavalos-marinhos em todo o estado do Rio de Janeiro. Além de estudos genéticos e comportamentais, as pesquisas buscam avaliar o impacto da pesca artesanal e identificar variações genéticas nas diferentes populações. Nos últimos dois anos, seis regiões do estado foram acompanhadas mensalmente, e mais de 100 pescadores receberam atendimento, enquanto mais de 20 oficinas capacitaram mulheres caiçaras, jovens, agentes ambientais e professores da educação infantil.
Educação e conscientização
A educação ambiental é um dos pilares do Projeto Cavalos-Marinhos. Além das oficinas e capacitações, o projeto promove ações para despertar o interesse da comunidade pela conservação dos cavalos-marinhos e de seu habitat. As atividades educativas visam engajar a população na proteção do meio ambiente, incentivando práticas sustentáveis e a valorização dos recursos naturais locais.
Orientações em caso de encontro com cavalos-marinhos
Para aqueles que encontrarem um cavalo-marinho, é importante seguir algumas orientações. Caso o animal esteja ferido, debilitado ou morto, deve-se acionar o WhatsApp disponível para reportar a situação. Se o animal estiver vivo no mar, a recomendação é observar sem tocar e registrar a data e o local no site indicado. Em casos de crimes ambientais, como captura ou venda, é fundamental entrar em contato com a Linha Verde do Ibama ou a Secretaria de Meio Ambiente da cidade onde ocorreu a infração.
Fonte: https://g1.globo.com