Adriano Hordina, um escritor de 37 anos, tem se destacado por sua trajetória inusitada de vida. Há cinco anos, ele vive em uma Kombi, viajando pelo Brasil e transformando suas experiências em arte. Recentemente, em uma visita a Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, Hordina doou exemplares de seu livro "Diário de um Neurodivergente" a bibliotecas públicas da cidade. Esta ação faz parte de um projeto maior que visa não apenas a distribuição de livros, mas também a criação de um diálogo entre sua obra e os leitores, especialmente na região. Ao longo do tempo, o autor tem buscado ampliar sua iniciativa para outras bibliotecas ao longo da costa fluminense.
A doação de livros em Cabo Frio
Durante sua passagem por Cabo Frio no dia 16 de outubro, Adriano Hordina expressou uma conexão profunda com a cidade. Ele destacou a beleza da arquitetura local, que combina elementos históricos e contemporâneos, o que o inspirou a querer conhecer mais sobre a história da região. Para o autor, a doação de livros não é apenas um ato de generosidade, mas um desejo de que sua própria história ressoe nas bibliotecas públicas, permitindo que sua 'vibração' seja sentida pelos cidadãos.
Projeto de doação e acessibilidade
O projeto de doação de Hordina está intimamente ligado ao propósito de tornar sua obra acessível. Todo o valor arrecadado com as vendas de "Diário de um Neurodivergente" é destinado à impressão de novos livros, que são distribuídos gratuitamente. Além disso, a obra também está disponível em formato de audiolivro, narrado pelo próprio autor, para facilitar o acesso a um público mais amplo, incluindo mães e familiares que podem ouvir enquanto cuidam de seus filhos. Hordina acredita que essa abordagem cria um portal de entendimento sobre a diferença, promovendo a conexão entre leitores.
Temas abordados na obra
"Diário de um Neurodivergente" é uma autobiografia que vai além do relato pessoal. A obra aborda a infância do autor, marcada por sentimentos de não pertencimento e as dificuldades enfrentadas no ambiente escolar. Os temas centrais da narrativa incluem a neurodivergência, a construção da identidade fora dos padrões sociais, a solidão, o pertencimento, e o autoconhecimento como um caminho para a liberdade. Hordina transforma experiências que poderiam ser vistas como fragilidades em consciência e criação, apresentando a diferença não como um erro, mas como uma linguagem própria e válida.
A diferença como linguagem
Um dos aspectos mais notáveis do livro é a forma como a diferença é abordada. Hordina enfatiza que o objetivo não é encaixar o leitor em um modelo pré-existente, mas sim abrir espaço para que cada um reconheça e valorize sua própria forma de existir. Essa perspectiva inovadora permite que leitores que nunca se sentiram representados encontrem um espaço de identificação e empatia na obra.
Planos futuros e impacto na comunidade
Adriano Hordina já manifestou sua intenção de retornar ao Rio de Janeiro em futuras oportunidades para continuar a distribuição gratuita de seu livro e fomentar o diálogo com os leitores. Através de sua arte e literatura, ele busca não apenas entreter, mas também educar e inspirar, promovendo uma discussão mais ampla sobre neurodivergência e inclusão. A proposta de Hordina é que sua obra sirva como um recurso valioso para aqueles que se sentem diferentes e que buscam um espaço onde suas experiências sejam compreendidas e valorizadas.
Fonte: https://g1.globo.com