Na madrugada de domingo (15), um incidente grave ocorreu em um bar localizado em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, onde clientes e funcionários foram agredidos por guardas municipais. Testemunhas relatam que a violência foi abrupta e sem justificativa, levantando preocupações sobre possíveis motivações homofóbicas. Com o uso de cassetetes, spray de pimenta e até cadeiras, os agentes da Guarda Civil atacaram o público, que majoritariamente consiste em pessoas LGBT. Este evento gerou uma onda de indignação e levou à investigação por parte da Polícia Civil.
Relatos das vítimas
Clientes do bar, que preferiram não se identificar, mostraram as marcas visíveis das agressões. Pelo menos três deles realizaram exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) para documentar os ferimentos. Luan Vinícius, sócio do estabelecimento, descreveu a ação como um "ato homofóbico", já que o bar é um espaço reconhecido por acolher o público LGBT. Ele afirmou que os guardas chegaram mascarados e partiram para a agressão sem qualquer tipo de abordagem inicial.
Agressões sem aviso
Entre os feridos, o cabeleireiro Hiago Benevenuto relatou que a abordagem foi totalmente inesperada. "Eles começaram a usar spray de pimenta e a nos agredir com cassetetes, sem qualquer aviso. Isso é inaceitável e remete a uma lógica de homofobia e racismo. Fomos tratados como criminosos, mesmo não tendo feito nada de errado", disse, enquanto mostrava as marcas de agressão em seu corpo.
A ação da Guarda Municipal
Nathan Richard, um garçom que estava no local, compartilhou sua experiência angustiante. Ele afirmou que foi agredido enquanto tentava se proteger em uma padaria próxima. "Levei cassetadas no braço e na cabeça e mal consegui me defender. A brutalidade foi tamanha que quase perdi a consciência", contou, visivelmente abalado e ainda sentindo dores.
Reação do proprietário do bar
Jobson dos Santos, o proprietário do bar, relatou que a ação dos guardas continuou mesmo após ele ter iniciado o processo de fechamento do estabelecimento. Ele enfatizou que o bar possui alvará para operar 24 horas. "Eles nem se preocuparam em pedir o alvará. Ao invés disso, usaram spray de pimenta em todo mundo e agrediram os clientes. Quando fui à sede da Guarda, vi agentes rindo, como se aquilo fosse uma vitória", disse.
Investigação em andamento
A Polícia Civil já iniciou uma investigação sobre o caso e pretende intimar os guardas envolvidos para prestar esclarecimentos. A Prefeitura de Cabo Frio, por sua vez, anunciou que a Secretaria de Segurança e Ordem Pública instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da ação dos guardas municipais. Os agentes foram afastados das funções operacionais até que a investigação seja concluída. Em nota, a Secretaria garantiu que todos os fatos serão analisados com transparência e que as medidas necessárias serão tomadas.
Compromisso com a transparência
A resposta da Prefeitura destaca a importância de investigar a conduta dos guardas, especialmente em um contexto onde a proteção dos direitos humanos e da diversidade é crucial. A comunidade local, especialmente a população LGBT, aguarda ansiosamente por respostas e garantias de que tais atos não se repetirão.
O caso em Cabo Frio levanta questões sérias sobre a atuação das forças de segurança e a necessidade de uma abordagem que respeite os direitos de todos os cidadãos, independentemente de sua orientação sexual. A expectativa é que as investigações tragam à tona a verdade sobre o ocorrido e que medidas efetivas sejam implementadas para evitar futuros abusos.
Fonte: https://g1.globo.com