O São Paulo Futebol Clube decidiu rescindir mais um contrato como parte de uma auditoria interna que apontou irregularidades. Após a dispensa da empresa FGoal, o clube acionou judicialmente a Milclean, exigindo o pagamento de R$ 1 milhão e a rescisão por justa causa. Em resposta a essa medida, a Milclean não se manifestou, e a situação continua em aberto, aguardando um posicionamento da empresa.
Motivos da rescisão
A rescisão contratual com a Milclean se deu devido a problemas que já haviam sido previamente reportados. A empresa foi acusada de fornecer menos funcionários do que o estipulado no contrato, sem realizar os descontos correspondentes nos valores pagos pelo São Paulo. Desde setembro de 2024, a auditoria identificou entre 1,3 mil a 1,5 mil faltas mensais, enquanto o contrato previa uma tolerância de até 60 ausências por mês.
Justificativas da Milclean
Em resposta às queixas do São Paulo, a Milclean alegou estar enfrentando 'dificuldades operacionais' e passando por um 'reequilíbrio financeiro'. A empresa também mencionou ter investido R$ 398 mil em equipamentos que substituiriam a mão de obra, justificando que tinha dificuldades para encontrar trabalhadores. Além disso, a Milclean implementou benefícios de assiduidade como incentivo para reduzir as faltas, mas essas medidas não foram aceitas pelo clube.
Ação judicial e valores envolvidos
A ação judicial do São Paulo requer o pagamento de R$ 615,4 mil devido ao não cumprimento do contrato pela Milclean, além de R$ 2 milhões como restituição de valores pagos a mais pelo serviço não recebido entre setembro de 2024 e março de 2026. Contudo, o clube já descontou R$ 1,6 milhão referente aos serviços prestados entre janeiro e março de 2026, restando uma cobrança de R$ 1 milhão.
Detalhes do contrato
Conforme estabelecido no contrato, o São Paulo paga mensalmente cerca de R$ 570 mil para garantir a presença de 96 funcionários para a limpeza da sede social. O acordo permanece vigente até 14 de junho de 2027, e o não cumprimento dos termos contratuais por parte da Milclean levou à atual situação de litígio.
Contexto da Milclean e sua relação com o São Paulo
Fundada em 1998, a Milclean começou com um capital social de R$ 20 mil e, em 2018, declarou movimentações que chegavam a R$ 20 milhões. A empresa é de propriedade de Otávio Alves Corrêa Filho, que tem vínculos com o Taubaté. Além disso, Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, já foi sócio da Milclean, vendendo sua participação em 2021. Apesar das ligações passadas, ele afirmou que não possui relações familiares atuais com o proprietário da empresa e o considera um 'antigo amigo'.
Em janeiro, quando foram levantadas questões sobre as faltas de funcionários, a Milclean admitiu que não respeitava o mínimo de pessoal contratado. A situação da empresa está sob a análise de uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que investiga várias irregularidades envolvendo o clube, incluindo o uso inadequado de camarotes no Morumbi.
Fonte: https://www.estadao.com.br