A Rússia intensifica as restrições ao uso da internet, bloqueando redes sociais populares e combatendo ferramentas de anonimato, o que tem levado cidadãos e estrangeiros, incluindo brasileiros, a buscar alternativas de comunicação mais antigas, num cenário de isolamento digital crescente.
O Cerco Digital e a Volta ao Passado
Plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook foram desativadas no país, marcando uma clara ruptura com o cenário global de conectividade. O Telegram, que se tornou o principal meio de comunicação com cerca de 100 milhões de usuários, enfrenta bloqueios contínuos e a iminente ameaça de ser totalmente desligado.
Essa escalada na censura, intensificada desde a invasão da Ucrânia, resulta em apagões digitais frequentes em todo o país, inclusive em grandes metrópoles como Moscou e São Petersburgo. Sites considerados “pouco confiáveis” pelo regime são sistematicamente proibidos.
Serviços básicos do cotidiano, como chamar um táxi, realizar pagamentos ou fazer ligações, tornam-se intermitentes, forçando uma adaptação radical. A população russa tem recorrido a métodos analógicos, impulsionando a venda de walkie-talkies, telefones fixos, pagers, mapas impressos e antigos tocadores de MP3.
Para os moradores de Rio das Ostras e Região dos Lagos, habituados à facilidade do Pix, dos aplicativos de entrega e das redes sociais para se comunicar, imaginar a perda repentina desses recursos cotidianos sublinha a relevância da liberdade digital na vida moderna.
A Batalha Contra as VPNs e a Resistência
O Kremlin direcionou seu foco para as Redes Privadas Virtuais (VPNs), ferramentas que permitem aos usuários contornar a censura digital e acessar conteúdo estrangeiro. O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, confirmou a meta de “reduzir o uso” dessas ferramentas, que supostamente não respeitam a legislação russa.
Até meados de janeiro, a Rússia havia bloqueado mais de 400 VPNs, um aumento de 70% em poucos meses, segundo o jornal Kommersant. A pressão chegou a levar a gigante Apple a remover, de sua App Store, VPNs que possibilitavam o acesso a sites censurados.
Apesar dos bloqueios, novas soluções surgem para substituir as antigas em um contínuo jogo de gato e rato entre censura e tecnologia. No entanto, a possibilidade de apagões de internet móvel se tornarem rotineiros em Moscou é real, com especialistas apontando semelhanças com bloqueios observados no Irã.
Para os habitantes de Rio das Ostras, que dependem da internet para tudo, desde notícias até serviços bancários e conexão com entes queridos, a situação russa serve de alerta sobre a fragilidade do acesso irrestrito à informação e a importância da manutenção de uma internet livre.
Telegram: O Último Reduto e a Reação Pública
Em meio à dificuldade crescente de acesso a ferramentas de outros países, o Telegram, desenvolvido pelo russo Pavel Durov, hoje radicado nos Emirados Árabes, é visto como o último grande reduto de comunicação relativamente livre no país. Seu bloqueio total poderia ocorrer a qualquer momento.
A importância da plataforma se estende a usos críticos, como a comunicação de soldados russos com suas famílias na Ucrânia e alertas de ataque aéreo por prefeituras de cidades próximas à zona de conflito. Sua iminente proibição gerou uma rara onda de críticas públicas, inclusive entre apoiadores do governo, evidenciando sua relevância social.
Desde a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia implementou leis repressivas, ordenando a censura e fortalecendo órgãos de vigilância. A Meta, dona do Facebook e Instagram, foi oficialmente considerada “terrorista” no país, resultando no bloqueio de suas redes.
O caso do Telegram simboliza a batalha pela liberdade de expressão e acesso à informação. Apesar da intensificação da censura, a busca por meios de comunicação e conexão persiste, refletindo um desejo humano universal que ressoa com a importância da liberdade de expressão para qualquer comunidade, como a de Rio das Ostras.
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Fonte: https://g1.globo.com