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Estudo revela efeito inesperado da proibição de celular em escolas

A proibição do uso de celulares em escolas, tema de intenso debate global, teve seus primeiros resultados amplos divulgados por um estudo nos Estados Unidos. A pesquisa, realizada por renomadas universidades como Stanford, Duke, Penn e Michigan, analisou o impacto em milhares de instituições.

Os achados, publicados pelo NBER (National Bureau of Economic Research), desafiam expectativas ao mostrar que a medida, embora reduza o uso dos aparelhos, não trouxe as melhorias esperadas em desempenho e revelou desafios em outras áreas, como o bem-estar dos estudantes.

Para aprofundar a discussão, o estudo acompanhou cerca de 5 mil escolas públicas americanas que implementaram o uso de bolsas lacráveis, um sistema que impede o acesso ao celular durante todo o horário letivo. Nele, os alunos guardam o aparelho ao chegar e só o liberam na saída.

O modelo, que utiliza cases de tecido com travas magnéticas, é considerado uma das formas mais rígidas de restrição, garantindo que o acesso ao dispositivo seja de fato impossível durante as aulas, ao contrário de outras políticas menos eficazes.

Os resultados iniciais confirmam que as bolsas foram eficazes: dados de GPS indicaram uma queda de 30% na atividade de dispositivos nas escolas. Professores reportaram uma redução ainda mais drástica, de 61% para 13% no uso pessoal de celulares em sala de aula, uma queda de quase 80%.

Contudo, o impacto no desempenho acadêmico mostrou-se próximo de zero na média geral. Embora houvesse uma leve melhora em matemática para alunos do ensino médio, os anos finais do ensino fundamental registraram uma pequena piora, resultando em um cancelamento de efeitos no balanço final.

No quesito bem-estar subjetivo, houve uma queda significativa no primeiro ano após a proibição, indicando um período de adaptação. Entretanto, esse indicador se recuperou e tornou-se positivo no segundo ano, sugerindo que os alunos se ajustaram à nova rotina.

A disciplina também foi afetada inicialmente, com um aumento de 16% nas ocorrências no primeiro ano, mas esse efeito também se dissipou com o passar do tempo. Frequência e atenção em sala de aula não apresentaram alterações significativas, e surpreendentemente, nenhuma mudança relevante foi detectada no bullying online.

Os pesquisadores levantam hipóteses para a falta de melhora nas notas. Uma delas é que, sem o celular, alunos poderiam ter buscado outras formas de distração, como conversas excessivas. Outra teoria é que, em certas escolas, o celular tinha funções pedagógicas, e sua ausência pode ter criado lacunas no processo de aprendizagem.

Houve ainda variações por faixa etária. Alunos mais jovens, com menor controle de impulsos, podem ter trocado o celular por outras distrações. No ensino médio, onde o uso do aparelho era mais acentuado, a restrição levou a ganhos modestos, notadamente em matemática.

Para o Brasil, este estudo ganha relevância imediata. Uma lei sancionada em janeiro de 2025 já proibiu o uso de celulares em escolas públicas e privadas de educação básica em todo o território nacional, colocando o país entre os mais rigorosos do mundo nessa regulamentação.

Dessa forma, a pesquisa não entrega respostas definitivas, mas oferece dados cruciais para aprimorar o debate sobre o uso de tecnologia na educação, que segue em constante evolução e adaptação.

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