A Polícia Federal revelou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro que orientavam sigilo extremo em um voo do senador Jaques Wagner (PT-BA), ocorrido em setembro de 2024.
A preocupação com a discrição levanta suspeitas sobre a ligação do congressista com o Banco Master, conforme detalhado em relatório tornado público pelo Supremo Tribunal Federal.
Instruções para evitar exposição
As trocas de mensagens, encontradas no celular de Vorcaro, mostram o empresário instruindo um interlocutor a levar a aeronave para um hangar “que ninguém conheça” na Bahia e a retirá-la rapidamente do local. A ordem foi clara: “Nem apaga o motor”, evidenciando a urgência e o desejo de não deixar rastros.
Após a confirmação do desembarque de Wagner, Vorcaro manifestou apreensão com a exposição da viagem, sublinhando a necessidade de máxima discrição.
Uso de jatinhos e suspeitas de “contrapartidas”
A PF sustenta que Jaques Wagner utilizava rotineiramente, e de forma gratuita, jatinhos privados controlados por Vorcaro e seu sócio, Augusto Ferreira Lima. Os investigadores apontam que não há registros de pagamento ou contraprestação financeira por parte do senador.
Para a polícia, a cessão das aeronaves seria parte de um esquema de “contrapartidas recíprocas”. O senador teria atuado em favor de interesses regulatórios e legislativos do Banco Master no Congresso Nacional, em troca dos favores.
Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão em junho, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Diante do desgaste político, ele renunciou à liderança do Governo no Senado dias depois. A investigação da Polícia Federal prossegue para esclarecer as supostas 'contrapartidas' e a relação entre o parlamentar e o Banco Master.