O governo brasileiro estabeleceu condições claras para a normalização das relações diplomáticas com a Argentina. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o retorno do embaixador brasileiro a Buenos Aires depende do fim das hostilidades verbais do presidente Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração de Vieira foi dada ao jornal Clarín, durante sua viagem oficial à Colômbia. Ele ressaltou a importância da relação bilateral e a necessidade de respeito mútuo para a cooperação efetiva entre os países.
Segundo o chanceler, "esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante". Ele enfatizou que a Argentina deve valorizar a relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a sua.
As tensões se intensificaram após Milei proferir insultos diretos a Lula em um evento partidário no Brasil, e reiterar críticas, alegando interferência brasileira nas eleições argentinas de 2023 ao apoiar seu opositor, Sergio Massa.
Em resposta às declarações, o Palácio do Planalto e o Itamaraty convocaram o embaixador Julio Bitelli de volta a Brasília para consultas. Essa medida diplomática simbólica sinaliza um claro descontentamento com a situação.
Vieira pontuou que a solução para o impasse depende de uma mudança de postura por parte da Casa Rosada. "Quando cessarem as condições que levaram à sua saída, é necessário um gesto: pôr fim à agressão", destacou, descrevendo-o como um "gesto simples" diante da relevância das relações bilaterais.
A situação diplomática entre os dois maiores parceiros do Mercosul segue em monitoramento.