O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recorreu nesta quinta-feira (22) da decisão que concedeu liberdade ao empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos. Ele havia sido detido em agosto, em Pinheiros (SP), por agredir a companheira.
A promotoria pede o restabelecimento da prisão preventiva, alegando que a soltura coloca a vida da cirurgiã-dentista Giulia Falcão, de 27 anos, em grave perigo.
Ivo, acusado de lesão corporal e ameaça, ficou preso por 66 dias. Sua libertação se baseou em acordo de divórcio, declaração da vítima de não se sentir ameaçada, necessidade de tratamento médico e tempo de detenção. A Justiça impôs tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento.
Contrariando a decisão, os promotores argumentam que a manifestação da vítima e a separação não eliminam o risco. Eles destacam um histórico de violência física, ameaças, privação de liberdade e uso de taser e taco de beisebol na relação.
O MP-SP ressalta um padrão de agressões e reconciliações que, no passado, resultou em mais violência após a retirada de medidas protetivas. Períodos de separação, conforme o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, intensificam o perigo à mulher.
A acusação também rebateu a justificativa de saúde do empresário, já negada anteriormente por falta de comprovação de doença grave.
A vulnerabilidade da vítima aumentou: após a soltura de Ivo, Giulia informou que deixaria a residência do casal. A defesa do empresário, por sua vez, pediu para ele retornar ao mesmo imóvel.
Além de pedir o retorno à prisão, o Ministério Público exige reforço nas medidas de segurança. Isso inclui proibição de proximidade com a vítima ou testemunhas, monitoramento eletrônico com alerta, apreensão de armas e inclusão em programas de reeducação.
O caso aguarda nova decisão judicial em São Paulo.