O Estádio da Rua Javari, patrimônio histórico tombado em 2019, é palco de uma polêmica envolvendo o Juventus. Em 2022, o clube recebeu R$ 2,3 milhões da prefeitura de São Paulo para obras de reforma e manutenção, que nunca foram realizadas. A verba teria sido utilizada para pagar dirigentes, resultando em uma dívida de R$ 5,3 milhões para a agremiação. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso é investigado.
A apuração interna do clube indica que os valores foram destinados às contas de Antonio Ruiz Gonsalez, então presidente do Conselho de Administração; Paulo Troise Voci, ex-vice-presidente do Conselho de Administração; Ivan Antipov, ex-presidente do Conselho Deliberativo; e Raudnei Anversa Freire, ex-diretor de futebol. Antonio, Paulo e Ivan afirmam que as contas de sua gestão foram aprovadas. Raudnei não se pronunciou até o momento.
Uma assembleia do Conselho Deliberativo para discutir a expulsão dos dirigentes foi suspensa por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que alegou falta de conclusão da sindicância e direito de defesa dos citados. A retomada do processo depende de nova decisão judicial.
A situação dificulta o projeto da SAF para a construção de uma arena, além de exigir o pagamento de uma outorga onerosa estimada em R$ 19.798.393,77. A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa informou que serviços de reparo e manutenção podem ser realizados antes do pagamento, desde que sigam as orientações técnicas do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).
A gestão do Juventus busca responsabilização e ressarcimento dos dirigentes envolvidos. O clube foi notificado pela prefeitura em setembro, e o prazo para apresentação do projeto de restauro expirou em abril de 2023, tornando-o inadimplente. A multa, calculada com base em 25 meses de atraso, somada ao valor a ser ressarcido ao Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano (FUNCAP), totaliza R$ 5.314.853,34.
Documentos internos apontam para o uso de “recursos vinculados a uma obrigação pública para benefício privado”, já que os valores teriam sido usados para quitar empréstimos dos dirigentes. A sindicância interna sugere a suspensão preventiva dos dirigentes envolvidos.
Após ser tombado, o Estádio Conde Rodolfo Crespi teve seu tombamento ampliado em 2020, incluindo o campo, arquibancadas e alambrados. A intenção original da diretoria era transformar o estádio em uma arena multiuso, projeto que teria andamento com a transformação do clube em SAF.
O grupo que comprou o futebol do Juventus propôs a modernização do estádio, incluindo a ampliação da capacidade para 15 mil pessoas, restaurantes, hotel, centro de fisioterapia, spa e academia. Em paralelo, o Juventus rescindiu o acordo com a Reag, gestora apontada por investigações como tendo ligações com o PCC, na SAF do clube. A Contea Capital assumiu a frente do projeto, visando recolocar o time na elite do futebol paulista em 2027.
A Reag também atua na Portuguesa, controlando a Revee, parceira da SAF do clube do Canindé. Após as investigações, o CEO da Revee renunciou, e a reforma do Estádio do Canindé enfrenta entraves devido a um acordo com a prefeitura.
Os dirigentes investigados negam as acusações e afirmam que suas contas foram aprovadas. O Juventus informou que não se manifestará publicamente sobre o caso devido ao sigilo das investigações, reafirmando seu compromisso com a transparência e a integridade da instituição.
Fonte: www.estadao.com.br