O Chile realizou o primeiro turno de suas eleições presidenciais neste domingo, com as urnas fechando às 18h, horário de Brasília, e a apuração dos votos se iniciando imediatamente. A disputa acirrada sinaliza um segundo turno entre Jeannette Jara, do Partido Comunista e apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric, e José Antonio Kast, da ala de extrema direita do Partido Republicano.
Com 62,76% dos votos apurados às 20h30, o cenário indicava a necessidade de uma nova rodada de votação. Os resultados parciais apontavam Jeannette Jara à frente com 26,63% dos votos, seguida de perto por José Antonio Kast com 24,25%. Outros candidatos da direita, como Franco Parisi, Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, obtiveram respectivamente 19,05%, 13,94% e 13,04% dos votos. Harold Mayne-Nicholls Secul, Marco Antonio Enríquez-Ominami Gumucio e Eduardo Antonio Artés Brichetti obtiveram, respectivamente, 1,27%, 1,17% e 0,66%.
A segurança pública tem sido o tema central no debate eleitoral, em meio ao aumento da criminalidade e preocupações com a imigração. Apesar da liderança da esquerda no primeiro turno, as pesquisas indicam um possível favoritismo da direita no segundo turno, marcado para 14 de dezembro.
O presidente Gabriel Boric, de esquerda, expressou seu apoio à candidata Jeannette Jara, sua ex-ministra. Durante a campanha, Jara criticou seus oponentes por “exacerbarem o medo” e defendeu a capacidade de diálogo e acordos para governar o país. Ela propõe o levantamento do sigilo bancário para combater as finanças do crime organizado.
O Chile enfrenta uma mudança no cenário político, com a criminalidade se tornando a principal preocupação dos eleitores. A taxa de homicídios mais que dobrou em dez anos, e os casos de sequestro atingiram um recorde no ano passado. A onda migratória de venezuelanos também gerou tensões, com parte da população associando o aumento da imigração ao avanço da criminalidade.
Candidatos de direita, como Kast, defendem medidas mais rigorosas, como a expulsão de imigrantes sem documentos e a construção de um muro na fronteira. Em contrapartida, Jara propõe soluções como a implementação de um salário mínimo e a criação de uma empresa nacional de lítio.
A região norte do Chile, na fronteira com Peru e Bolívia, enfrenta desafios devido ao aumento do crime organizado, incluindo a atuação de gangues como o “Tren de Aragua”. O governo chileno tem aumentado o orçamento da polícia e aprovado novas leis para combater a criminalidade, mas especialistas alertam para a importância de focar também nos problemas internos do país.
Fonte: g1.globo.com