A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, marcada para ocorrer neste sábado (17), representa um marco histórico após mais de 25 anos de negociações. Este pacto promete transformar significativamente as relações comerciais entre os dois blocos, impactando diretamente a economia brasileira. Os efeitos esperados vão desde a redução de preços de produtos do dia a dia até mudanças profundas na indústria e no agronegócio. O acordo deve facilitar o acesso a uma variedade maior de produtos europeus no Brasil, ao mesmo tempo em que abre novas oportunidades para as exportações brasileiras. A seguir, exploremos os detalhes desse acordo e suas implicações para os consumidores e produtores brasileiros.
Mudanças no consumo e no mercado
Uma das principais mudanças que o acordo deve trazer é o aumento da presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro. Isso inclui a expectativa de uma redução nos preços de itens como vinhos, azeites, queijos e laticínios. Com a eliminação gradual de tarifas de importação, os consumidores brasileiros poderão ter acesso a produtos de qualidade a preços mais competitivos. Por exemplo, a taxa sobre vinhos, que atualmente é alta, deverá ser progressivamente reduzida, permitindo que vinhos de países como Itália, França e Espanha se tornem mais acessíveis.
Impacto nos produtos importados
Além dos vinhos, outros produtos importados da Europa também devem ter suas tarifas diminuídas. Veículos, que atualmente enfrentam uma taxação de 35%, poderão ter esse imposto zerado em até 15 anos. Essa mudança não só deve baratear os carros importados, mas também aumentar a concorrência no mercado automotivo brasileiro. Outro setor que deve sentir os efeitos do acordo é o de medicamentos e produtos farmacêuticos, que representam uma parte significativa das importações brasileiras da UE.
Benefícios para a produção interna
Os efeitos do acordo também se estendem à produção interna. Com a possibilidade de acesso a insumos e tecnologias europeias mais baratas, as empresas brasileiras poderão reduzir seus custos operacionais. Isso é especialmente relevante para o agronegócio, que poderá investir menos em máquinas, equipamentos e fertilizantes. A modernização e a eficiência produtiva são esperadas como resultado desse acesso facilitado a insumos importados.
Aumento nas exportações brasileiras
O acordo também abre novas oportunidades para as exportações brasileiras. Produtos como calçados, frutas e outros itens agrícolas poderão ser vendidos com tarifas reduzidas para o mercado europeu. Estima-se que o tratado pode criar um fluxo comercial avaliado em US$ 22 trilhões, com potencial para aumentar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões adicionais. Calçados, que hoje enfrentam tarifas de 3% a 7% na UE, terão essas taxas eliminadas em até quatro anos, enquanto a taxação de 14% sobre a uva será zerada imediatamente.
Entendendo o acordo
O objetivo central do acordo é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul, que incluem Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O pacto busca reduzir tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa. Com um mercado que abrange 720 milhões de consumidores, o acordo representa cerca de 25% do PIB global.
Expectativas de crescimento econômico
Estudos indicam que o Brasil será o principal beneficiado pelo acordo, com projeções de que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderá crescer em 0,46% até 2040, superando as expectativas de crescimento para a UE e outros países do Mercosul. Isso demonstra a importância do acordo não apenas para o comércio, mas também para o desenvolvimento econômico do Brasil.
Fonte: https://g1.globo.com