Com a chegada do verão, a preocupação com os cuidados com a pele ganha destaque nas orientações de saúde pública, especialmente diante de um aumento significativo nos atendimentos por queimaduras solares. Dados recentes revelam uma elevação expressiva de casos que demandam assistência médica, acendendo um alerta para a população sobre os perigos da exposição desprotegida ao sol. A radiação ultravioleta, um fator ambiental constante, agrava-se com a intensidade da temporada de calor, tornando imperativo que indivíduos de todas as idades adotem práticas preventivas para proteger a saúde cutânea. Profissionais de saúde enfatizam a importância de medidas protetoras durante todo o ano, mas, sobretudo, nos meses mais quentes, quando a incidência solar é mais forte e a permanência ao ar livre se torna mais frequente.
Crescimento alarmante de queimaduras solares no verão
Estatísticas que acendem um alerta
O período de verão no Brasil é tradicionalmente associado a um aumento nas atividades ao ar livre, o que, infelizmente, se traduz também em uma maior incidência de problemas de saúde relacionados à exposição solar. Levantamentos recentes sobre atendimentos na rede pública de saúde indicam um cenário preocupante: o número de casos de queimaduras solares mais que dobrou nos meses de novembro a março em comparação com o restante do ano. Entre novembro de 2024 e março de 2025, foram contabilizados, em média, 182 atendimentos mensais por queimadura solar. Este número representa mais que o dobro da média observada entre janeiro e outubro de 2024, quando a média mensal girava em torno de 88 atendimentos. No total, apenas nesses cinco meses de verão, 912 pessoas buscaram assistência médica devido a queimaduras causadas pelo sol, superando os 882 registros feitos nos dez meses anteriores. Esses números não apenas evidenciam a negligência de muitos em relação à proteção solar, mas também sobrecarregam os sistemas de saúde, que precisam destinar recursos para o tratamento de condições evitáveis.
Impacto da radiação ultravioleta: Além do bronzeado
A radiação ultravioleta (UV), presente na luz solar, é o principal agente causador das queimaduras solares e de outros danos à pele. Especialistas em dermatologia reforçam que, embora o verão intensifique a necessidade de cuidados, a proteção cutânea deve ser uma constante ao longo de toda a vida. A radiação UV possui um efeito cumulativo, ou seja, seus danos se somam ao longo dos anos, sendo o fator preponderante para o desenvolvimento do câncer de pele, a forma mais comum de câncer. Além das queimaduras de primeiro e segundo grau, a exposição solar desprotegida pode desencadear ou agravar uma série de problemas dermatológicos. Entre eles, destacam-se o surgimento de manchas indesejáveis, lesões cutâneas, o envelhecimento precoce da pele — caracterizado por rugas e flacidez — e o agravamento de doenças preexistentes como micoses e brotoeja, que encontram um ambiente propício para manifestação e progressão em peles desprotegidas e superaquecidas. A conscientização sobre esses riscos vai além da estética, adentrando o campo da saúde pública e da prevenção de doenças graves.
Estratégias essenciais para a proteção cutânea
Uso estratégico de protetor solar e vestuário
Para mitigar os riscos da exposição solar, o uso diário e correto do protetor solar é fundamental. Recomenda-se um produto com Fator de Proteção Solar (FPS) 30 ou superior, aplicado generosamente cerca de 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas. Essa frequência deve ser intensificada em situações de contato com a água, como mergulhos na praia ou piscina, e em casos de transpiração excessiva. É crucial lembrar que o protetor solar não deve ser limitado apenas ao rosto e braços; regiões frequentemente esquecidas, mas igualmente vulneráveis, como o couro cabeludo (especialmente em pessoas com menos cabelo), nuca, orelhas, lábios, mãos e pés, também exigem atenção especial. Para essas áreas, o uso de chapéus de aba larga, bonés e protetor labial com FPS é altamente recomendado. Além disso, os óculos escuros com proteção contra os raios UV são indispensáveis para salvaguardar a saúde ocular, prevenindo danos à retina e o desenvolvimento de catarata. A vestimenta com tecidos que oferecem proteção UV também é uma aliada valiosa, proporcionando uma barreira física adicional.
Horários seguros e hidratação contínua
A escolha dos horários de exposição ao sol é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os danos causados pela radiação UV. Os especialistas indicam que os períodos mais seguros para estar sob o sol são antes das 9h da manhã e após as 15h. Nesses intervalos, os índices de radiação ultravioleta são consideravelmente menores, diminuindo o risco de queimaduras e outros prejuízos à pele. Evitar a exposição solar direta entre 10h e 16h, quando o sol está a pino e a radiação é mais intensa, é uma medida preventiva crucial. Paralelamente à proteção externa, a hidratação interna e externa da pele desempenha um papel vital na manutenção da sua barreira protetora. Aumentar a ingestão de água ao longo do dia é essencial, especialmente em climas quentes ou durante atividades físicas, para repor os líquidos perdidos e manter a pele hidratada de dentro para fora. O uso regular de hidratantes corporais, preferencialmente após o banho, ajuda a preservar a função de barreira da pele, prevenindo o ressecamento, a descamação e as irritações comuns na estação mais quente.
Proteção específica para grupos de risco
Crianças, gestantes e idosos: Vulnerabilidade e prevenção
Alguns grupos populacionais apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos nocivos do sol e, portanto, necessitam de atenção e cuidados redobrados. Para as crianças, a proteção solar é particularmente crítica. Bebês com menos de seis meses de idade não devem ser expostos diretamente ao sol em hipótese alguma, sendo fundamental mantê-los em ambientes sombreados. A partir dos seis meses, as crianças podem começar a usar filtro solar diariamente, preferencialmente aqueles formulados com filtros físicos (minerais), que são menos irritantes para a pele sensível. Além do protetor, roupas com proteção UV e acessórios como chapéus são indispensáveis. As gestantes também compõem um grupo de risco elevado, com maior propensão ao surgimento de manchas escuras na pele, como o melasma, devido às alterações hormonais. Para elas, intensificar os cuidados com o sol é primordial para evitar essas hiperpigmentações. Idosos, por terem a pele mais fina e frágil, também são suscetíveis a danos solares e exigem precauções, como a busca por sombra e o uso constante de protetor. Em todos esses grupos, a hidratação intensa e o uso de roupas protetoras são aliados importantes.
Sinais de alerta e busca por atendimento médico
A atenção contínua à saúde da pele não se resume apenas à prevenção, mas também à observação atenta de qualquer alteração que possa indicar um problema mais sério. É fundamental procurar atendimento médico se feridas na pele não cicatrizarem em um período razoável, se manchas ou pintas existentes apresentarem coceira, sangramento ou qualquer mudança de aparência, cor, tamanho ou textura. O surgimento de novas lesões ou de crescimentos cutâneos que evoluem rapidamente também são sinais de alerta que demandam avaliação dermatológica imediata. A detecção precoce de condições como o câncer de pele aumenta significativamente as chances de um tratamento bem-sucedido. A rede de saúde pública oferece atendimento especializado em dermatologia, geralmente com encaminhamento pelas unidades de Atenção Primária. Em situações de urgência, como queimaduras solares graves com bolhas extensas, febre ou desidratação, hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Emergência Regional (CERs) estão preparados para oferecer o suporte necessário.
A intensificação dos alertas sobre os cuidados com a pele reflete uma crescente preocupação com a saúde pública frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos hábitos de vida contemporâneos. A radiação solar, embora essencial para a vida, exige respeito e medidas preventivas constantes. A educação contínua da população sobre os riscos acumulativos da exposição desprotegida, a importância de exames regulares da pele e o acesso facilitado aos serviços de dermatologia são pilares fundamentais para construir uma sociedade mais consciente e resiliente aos danos solares. Cuidar da pele é um investimento na saúde a longo prazo, com benefícios que transcendem a estação do verão.
Fonte: https://extra.globo.com