O Brasil juntou-se, neste domingo, a um acordo abrangente entre nações da América Latina e Europa, enfatizando o apoio à democracia, eleições livres e o respeito pelas instituições internacionais. O documento sinaliza, sutilmente, a necessidade de uma abordagem mais contida dos Estados Unidos em situações de conflito global.
A declaração, apresentada durante um encontro birregional em Santa Marta, Colômbia, obteve o endosso de 58 países. Venezuela e Nicarágua optaram por não assinar o documento, composto por 52 pontos que abordam temas como os conflitos na Ucrânia e em Gaza, a luta contra as mudanças climáticas e a reformulação do sistema de comércio internacional.
Compromisso com eleições livres e democráticas
Um dos pilares centrais do texto é a reafirmação do “compromisso inabalável com a democracia, abrangendo eleições livres, inclusivas, transparentes e confiáveis”. A redação foi vista como um recado direto ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, em decorrência das eleições que foram questionadas pela comunidade internacional. A Nicarágua seguiu o exemplo de Caracas e também decidiu não assinar a declaração.
Críticas indiretas aos Estados Unidos
A declaração aborda a importância de assegurar a “segurança marítima e a estabilidade regional no Caribe”, em uma alusão implícita às operações militares conduzidas pelo então presidente Donald Trump contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na região. O texto também enfatiza o apoio a um “sistema de comércio aberto, previsível e baseado em regras”, opondo-se a políticas tarifárias unilaterais — frequentemente empregadas por governos norte-americanos.
Reforma da ONU e do sistema financeiro internacional
Outro ponto de destaque é a proposta de reformar o Conselho de Segurança da ONU, tornando-o “mais representativo e democrático”, e ampliar a influência dos países em desenvolvimento nas decisões globais.
O documento também propõe alterações no sistema financeiro internacional, buscando assegurar uma maior participação das nações emergentes e fomentar o equilíbrio nas relações econômicas entre os blocos.
Compromissos ambientais e cooperação energética
Na área ambiental, os países reiteraram os compromissos assumidos durante a COP30, em Belém, e defenderam reduções rápidas nas emissões de gases de efeito estufa. A declaração também propõe expandir a cooperação entre América Latina e Europa na transição energética, com foco em tecnologias limpas e no desenvolvimento sustentável.
Ao assinar o documento, o Brasil reforça seu papel como ponte diplomática entre os continentes, buscando uma maior aproximação política e econômica e defendendo soluções multilaterais para crises globais.
Fonte: gazetabrasil.com.br