Em meio a tensões comerciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou confiança sobre a reunião agendada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro, previsto para ocorrer na Malásia, no próximo domingo (26), durante a Cúpula da ASEAN, marca a primeira reunião formal entre os líderes em um período de atritos econômicos entre os dois países.
Lula enfatizou que “não existe veto” sobre os temas a serem abordados, indicando uma disposição para discutir abertamente as questões pendentes. “Essa reunião está sendo esperada há algum tempo. Eu tenho todo interesse em ter essa reunião e mostrar que houve um equívoco nas taxações”, declarou o presidente.
A expectativa de reaproximação surge após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em abril, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre importações brasileiras, ampliada para 50% em julho, medida que entrou em vigor no início de agosto. O governo brasileiro considerou a decisão “equivocada” e buscou negociar uma revisão. Uma reunião entre o ministro da Fazenda e o secretário do Tesouro norte-americano chegou a ser planejada, mas foi cancelada pelos EUA.
Lula pretende apresentar dados que demonstram o superávit da balança comercial dos Estados Unidos com o Brasil, argumentando que tal cenário “não justificaria o tarifaço”. Ele reforçou o interesse do Brasil em apresentar a realidade dos fatos e questionar a taxação imposta, além de defender seus ministros.
A possibilidade do encontro ganhou força após um telefonema de 30 minutos entre Lula e Trump em 6 de outubro, considerado positivo para a retomada das negociações. Após esse contato, o secretário de Estado norte-americano e o ministro das Relações Exteriores mantiveram conversas à distância e se reuniram presencialmente em Washington, buscando uma solução diplomática para as tarifas e o fortalecimento da cooperação bilateral.
Antes do encontro na Malásia, Lula cumpriu agenda na Indonésia, onde se reuniu com o presidente e empresários locais. Durante a viagem pela Ásia, que se estenderá até a próxima terça-feira (28), o presidente tem enfatizado a importância de diversificar parcerias econômicas, sem renunciar a uma relação equilibrada com os Estados Unidos.
Fonte: gazetabrasil.com.br