O Brasil registrou uma notável diminuição nas emissões de gases do efeito estufa em 2024. As emissões brutas totalizaram 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e), representando uma queda de 16,7% em comparação com as 2,576 GtCO2e emitidas no ano anterior. Quando consideradas as emissões líquidas, que levam em conta a captura de carbono por florestas secundárias e áreas protegidas, a redução atinge 22%.
A expressiva queda observada no último ano é a maior em 16 anos e a segunda mais acentuada desde 1990, quando houve uma diminuição de 17,2%.
Analisando as emissões brutas por setor, a mudança de uso da terra foi responsável por 42% do total emitido em 2024. A agropecuária contribuiu com 29%, o setor de energia com 20%, e os resíduos e processos industriais responderam por 5% e 4%, respectivamente.
O setor de mudança de uso do solo tem sido o principal emissor no Brasil. Em 2024, esse setor emitiu 906 milhões de toneladas de CO2e, com 98% dessa quantidade originada do desmatamento. Desde 2022, o setor tem apresentado queda nas emissões devido ao aumento do controle do desmatamento.
A região Amazônica apresentou uma expressiva redução de 41% nas emissões de gases do efeito estufa. O Cerrado também diminuiu a poluição climática em 20%. O Pantanal foi o bioma com a queda mais notável, proporcionalmente ao seu território, com uma redução de 66%. O Pampa foi o único bioma que aumentou as emissões no último ano, registrando um crescimento de 6%.
Em 2024, o setor de agropecuária apresentou uma queda de 0,7% nas emissões de gases do efeito estufa. Os demais setores registraram aumento na poluição climática, com aumentos de 0,8% em energia, 2,8% em processos industriais e 3,6% em resíduos.
No ranking por estado, Rondônia, Pará e Mato Grosso lideraram a redução de emissões brutas, com quedas de 65%, 44% e 44%, respectivamente. Minas Gerais, Piauí, Roraima, Rio Grande do Sul e Sergipe registraram aumento nas emissões de 2024 em comparação com o ano anterior.
As emissões líquidas do Brasil, em 2024, totalizaram 1,49 GtCO2e, considerando as remoções por áreas protegidas e florestas secundárias. Isso leva o setor de uso da terra a registrar uma queda ainda maior de 64% no total das emissões.
As queimadas, embora não associadas ao desmatamento e não contabilizadas no inventário, impactam as emissões. Em 2024, houve um aumento expressivo nas áreas queimadas em quase todos os biomas, refletindo em um aumento significativo nas emissões líquidas por fogo no Brasil.
Fonte: jovempan.com.br