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Calor extremo atinge favelas do Rio devido à falta de arborização

G1

Uma pesquisa recente revela que os moradores de favelas no Rio de Janeiro estão sentindo os efeitos do calor extremo de maneira mais intensa durante este verão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 60% das pessoas que vivem em comunidades carentes estão em áreas sem nenhuma arborização. Em contraste, 69% da população fora dessas áreas reside em regiões com árvores próximas, o que acentua a sensação de calor nas favelas, especialmente no Complexo da Maré, onde as temperaturas podem ser até 6°C mais altas do que nas áreas vizinhas.

Ilhas de calor nas favelas

Pesquisas realizadas pela Redes da Maré identificaram três ilhas de calor significativas dentro do Complexo da Maré: Nova Maré, Baixa do Sapateiro e Conjunto Bento Ribeiro Dantas. A diferença de temperatura entre o ponto mais quente da comunidade e o Aeroporto do Galeão, localizado a aproximadamente seis quilômetros de distância, pode alcançar até 6°C, evidenciando a gravidade da situação para os moradores da região.

Sensação térmica e relatos dos moradores

A combinação de um sol forte, a escassez de sombras e a proximidade das casas contribui para uma sensação térmica insuportável. O mototaxista Márcio Rodrigo da Silva compartilha sua experiência: "Você vai lá na minha laje de quarto andar, tá pegando fogo, o chão tá queimando". Esse testemunho ilustra como o calor intenso se torna uma questão de saúde e conforto para aqueles que habitam essas áreas.

Falta de infraestrutura e seus impactos

A falta de arborização e áreas verdes nas favelas contribui para a intensificação do calor. Rian de Queiroz, coordenador de projetos, explica que as características urbanas das favelas, como a verticalização excessiva e a construção densa, criam um ambiente que dificulta a circulação de ar. "As favelas são resultado de políticas excludentes. No contexto de crise climática, isso se materializa muito no adensamento de construção, ruas mais estreitas, criando cânions urbanos", afirma.

Estresse térmico e a rotina dos moradores

Diana de Souza, coordenadora de projetos, destaca que a falta de sombra impacta diretamente as atividades diárias dos moradores, dificultando o deslocamento e o trabalho ao ar livre. "Com isso, vamos tendo o que é chamado de estresse térmico, ficando mais cansados e irritados devido ao alto calor", explica. Além das altas temperaturas, a população enfrenta problemas como a escassez de água e quedas frequentes de energia, especialmente nos meses mais quentes.

Desafios e invisibilidade do problema

O professor Raniery Soares comenta que a falta de infraestrutura e os problemas climáticos são uma constante nas favelas: "Todo verão é a mesma coisa. No período de dezembro a janeiro, aguardamos problemas de falta de luz, devido ao calor que chega a 40, 42 graus dentro das favelas". A ausência de dados oficiais sobre as condições climáticas nessas áreas contribui para a invisibilidade do problema, o que dificulta a implementação de políticas efetivas.

Iniciativas para mitigar o calor

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima anunciou que está implementando o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica em áreas com alta concentração de favelas para ajudar a mitigar o calor. Além disso, a Secretaria Municipal de Habitação relatou que, em dois anos, foram plantadas quase 1,3 mil árvores nas comunidades. Essas iniciativas visam melhorar a qualidade de vida e reduzir os impactos das mudanças climáticas nas áreas mais vulneráveis da cidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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