A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, uma moção de repúdio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). A ação foi motivada por declarações feitas por Lula durante uma visita à Indonésia, onde ele afirmou que os traficantes de drogas são, em certa medida, “vítimas dos usuários”.
O deputado federal Capitão Alden, do Partido Liberal (PL) da Bahia, é o autor da moção de repúdio. Ele argumenta que o presidente fez declarações “desrespeitosas e equivocadas em âmbito internacional”, minimizando a gravidade do crime organizado e a responsabilidade dos traficantes na violência.
A fala polêmica de Lula ocorreu em 24 de outubro, durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, o presidente declarou: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários, também. Você tem uma troca de gente que vende porque tem gente que compra […]. Então, é preciso que a gente tenha mais cuidado no combate a droga.”
Para o Capitão Alden, a declaração de Lula relativiza a gravidade do tráfico de drogas, enfraquecendo o trabalho das forças de segurança pública e desrespeitando as vítimas do crime organizado. O requerimento alega ainda que a fala pode prejudicar as alianças internacionais de combate ao crime.
Após a repercussão negativa, o presidente Lula publicou uma retratação em suas redes sociais, afirmando que a frase foi “mal colocada”. Ele reafirmou seu posicionamento contra os traficantes e o crime organizado, mencionando as ações de seu governo no combate ao tráfico de drogas.
A moção de repúdio da Câmara também critica outra declaração de Lula durante a mesma coletiva. Na ocasião, o presidente criticou as falas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a defesa de ações militares letais contra grupos de narcotráfico em outros países. Lula, sem citar Trump, defendeu que o combate ao crime deve respeitar a legalidade e a soberania dos países. Ele afirmou que o objetivo é prender e julgar os criminosos, respeitando a Constituição e a autodeterminação dos povos.
Fonte: gazetabrasil.com.br