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Comando Vermelho: Ascensão no Inferno de Ilha Grande e Expansão no Crime

G1

Uma megaoperação de segurança pública, com o objetivo de cumprir centenas de mandados de prisão e busca e apreensão, foi deflagrada recentemente em complexos na capital fluminense, visando frear o avanço do Comando Vermelho (CV). A facção criminosa, que surgiu no presídio de Ilha Grande entre as décadas de 1970 e 1980, consolidou-se como uma das mais influentes no tráfico de drogas no estado do Rio de Janeiro.

A ação resultou em mais de uma centena de mortes, a maioria de suspeitos, além de policiais. Mais de uma centena de prisões foram efetuadas, incluindo indivíduos de outros estados. Apreensões significativas também foram registradas, como a de armas (a maioria fuzis), além de grande quantidade de drogas.

A história do Comando Vermelho remonta ao complexo penitenciário Candido Mendes, em Ilha Grande, apelidado de “Caldeirão do Inferno” devido à violência que ali imperava. O local, que outrora serviu para isolar doentes e presos políticos, tornou-se o berço da organização criminosa.

No século XIX, a Ilha Grande abrigou o Lazareto, um local de triagem para doentes contagiosos que chegavam ao Brasil em navios estrangeiros. Posteriormente, foi criada a Colônia Correcional de Dois Rios, que funcionou em diferentes períodos e abrigou presos da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e o escritor Graciliano Ramos.

Em 1963, a Penitenciária Cândido Mendes foi criada, tornando-se um destino para presos políticos durante a ditadura militar. A ideia era isolá-los, dada a dificuldade de acesso à ilha.

Em 1969, uma mudança na Lei de Segurança Nacional (LSN) levou para a Ilha Grande criminosos comuns, como homicidas e assaltantes, que passaram a conviver com os presos políticos.

Presos políticos foram isolados numa galeria, mas a integração acontecia em atividades como artesanato e esportes. Eles também implementaram melhorias na unidade, como a criação de uma farmácia, biblioteca e um fundo coletivo de alimentos.

A separação entre os presos políticos e os criminosos comuns se intensificou, levando à construção do “Muro da Vergonha”. Essa divisão, paradoxalmente, contribuiu para a mobilização e conscientização dos detentos do “Fundão”, que iniciaram uma série de embates com as autoridades, reivindicando melhores condições.

Nesse contexto, surgiu a Falange da LSN, posteriormente rebatizada de Falange Vermelha e, finalmente, Comando Vermelho. A facção passou a dominar o presídio e a comandar o crime organizado dentro do sistema penitenciário.

A fuga de Zé Bigode da ilha, em 1980, marcou o início da expansão da facção para fora dos muros da prisão. A história da organização criminosa se propagou, atribuindo a sua ascensão à convivência entre assaltantes e presos políticos, que teriam ensinado aos criminosos como se organizar de forma mais eficiente.

Indivíduos de fora dos presídios, como o traficante Escadinha, também se juntaram ao grupo. Escadinha protagonizou uma fuga espetacular de helicóptero da Ilha Grande, em 1985, consolidando a reputação da facção.

O presídio da Ilha Grande foi desativado em 1994 e, posteriormente, implodido. Atualmente, apenas ruínas da antiga estrutura permanecem no local.

Fonte: g1.globo.com

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