Astrônomos registraram o reaparecimento do cometa 3I/ATLAS após sua passagem pelo Sol, marcando um novo capítulo na jornada deste corpo celeste vindo de outro sistema estelar. O cometa, que intrigou os cientistas desde sua descoberta, ressurgiu com um brilho azulado surpreendente.
Qicheng Zhang, do Observatório Lowell, foi o primeiro a fotografar o cometa após sua passagem pelo Sol, utilizando o telescópio Discovery. Zhang também confirmou que o cometa pode ser observado com equipamentos menores, desde que as condições do céu e horizonte leste sejam favoráveis.
Este registro óptico foi o primeiro após a passagem do 3I/ATLAS por trás do Sol, no dia 31 de outubro. O cometa é apenas o terceiro objeto interestelar identificado na história, precedido por 1I/‘Oumuamua e 2I/Borisov. Descoberto em 1º de julho pelo telescópio ATLAS no Chile, o cometa tem intrigado os astrônomos por sua velocidade, brilho e trajetória.
De acordo com a NASA, o 3I/ATLAS viaja a mais de 210 mil km/h, em uma órbita que o impede de ser capturado pela gravidade do Sol. Seu periélio, o ponto mais próximo do Sol, ocorreu entre 29 e 30 de outubro de 2025, a cerca de 203 milhões de quilômetros. O cometa possui um núcleo de aproximadamente 20 km de diâmetro e massa superior a 33 bilhões de toneladas.
Em 3 de outubro, o 3I/ATLAS passou a 28 milhões de km de Marte. Em dezembro, atingirá seu ponto mais próximo da Terra, a 270 milhões de km. A NASA assegura que não há risco de colisão, mas o cometa oferece uma oportunidade para estudar um fragmento de outro sistema solar. Estima-se que ele tenha se formado há cerca de 10 bilhões de anos.
Estudos revelaram que o cometa se tornou mais brilhante do que o esperado, e seu tom azul surpreendeu os cientistas. A detecção de uma “anti-cauda” também chamou atenção. O 3I/ATLAS possui propriedades químicas incomuns, incluindo uma mistura rara de dióxido de carbono, água, cianeto e uma liga de níquel.
A trajetória do cometa foi considerada “extraordinária” pelo NOIRLab, e a Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) o incluiu em sua lista de objetos prioritários.
Enquanto se afasta do Sol, o 3I/ATLAS volta a ser visível da Terra, e telescópios de todo o mundo o acompanharão. Astrônomos também aguardam imagens da câmera HiRISE do orbitador de Marte, que devem revelar detalhes sobre a luz azul do cometa.
Fonte: gazetabrasil.com.br