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Decisão da Justiça americana favorece setor de peixes

Marcos César Antonio, o Marcos do Pescado, vende peixes na região do Porto de Manaus  • Rafa...

Uma recente decisão judicial nos Estados Unidos, que considerou ilegais as tarifas sobre produtos brasileiros de pescado, foi recebida com otimismo pelo setor de aquicultura no Brasil. A medida é vista como um importante avanço para a recuperação da competitividade no mercado norte-americano, especialmente para a tilápia, um dos principais produtos da piscicultura brasileira. A Associação Brasileira da Piscicultura, conhecida como Peixe BR, acredita que essa decisão pode impulsionar investimentos e melhorar a posição do Brasil nas exportações de pescado, que enfrentaram dificuldades devido a tarifas elevadas nos últimos anos.

Impacto das tarifas sobre o setor de pescado

A decisão judicial ocorre após um período de severas restrições, conhecido como "tarifaço", que aumentou a alíquota de importação sobre produtos brasileiros para cerca de 40%. Isso teve um impacto negativo significativo nas exportações, especialmente dos filés de tilápia, que antes estavam isentos de tarifas, permitindo que o Brasil competisse em igualdade de condições com outros países sul-americanos. A imposição dessa tarifa alta resultou em desafios para os exportadores, que tiveram que adaptar suas operações para manter a presença no mercado.

Estratégias de sobrevivência dos exportadores

Apesar das dificuldades impostas pelas tarifas, muitas empresas encontraram maneiras de se manter ativas no mercado internacional. Isso foi feito por meio de acordos com parceiros comerciais e da redução de margens de lucro. Em alguns casos, os exportadores operaram com margens mínimas, focando na preservação de contratos e relacionamentos com compradores. Mesmo com a rentabilidade reduzida, o volume de exportação em 2025 permaneceu parecido com o de 2024, demonstrando a resiliência do setor.

Novas oportunidades de mercado

A tilápia se consolidou como o principal item de exportação do pescado brasileiro, com o mercado dos Estados Unidos tradicionalmente representando cerca de 90% das vendas externas. Com a elevação das tarifas, o setor começou a explorar novas alternativas, como a intensificação da presença no Canadá. Parte da produção passou a ser enviada para os Estados Unidos, e de lá transportada para o Canadá por meio de caminhões refrigerados, uma manobra que evita a incidência das tarifas americanas devido ao trânsito logístico.

Logística e frescor do produto

A logística aérea é um componente crucial para garantir a qualidade do produto, uma vez que o filé fresco deve chegar ao varejo em até 48 horas após o abate. A alta frequência de voos diários entre o Brasil e cidades americanas, especialmente Miami, facilita o transporte de cargas perecíveis. No entanto, rotas diretas para o Canadá não oferecem o mesmo nível de intensidade, o que torna a logística aérea ainda mais essencial para a operação do setor.

Expectativas de crescimento e investimento

Com a decisão judicial abrindo novas perspectivas para a redução ou eliminação das tarifas, o setor de aquicultura espera retomar seus planos de expansão. Antes das restrições comerciais, o Brasil havia se tornado o quarto maior exportador de tilápia para os Estados Unidos e tinha ambições de alcançar a segunda posição. A expectativa é que, com tarifas abaixo de 20%, a competitividade do produto brasileiro se recupere, especialmente no mercado de filés frescos.

Resultados e demanda interna

As exportações do setor em 2025 totalizaram cerca de US$ 60 milhões, com uma meta inicial de US$ 100 milhões agora sendo reavaliada, caso as regras tarifárias sejam regularizadas rapidamente. Além disso, a demanda interna por pescado durante o período da Quaresma, tradicionalmente alta, contribui para manter o mercado aquecido enquanto o setor se reorganiza para otimizar os fluxos de exportação.

Diversificação e futuro da piscicultura brasileira

A decisão da Justiça americana é vista como um estímulo não apenas para aumentar as exportações, mas também para fomentar novos investimentos na produção, processamento e infraestrutura industrial. Apesar dos desafios enfrentados, o setor de aquicultura no Brasil emerge de forma mais diversificada em termos de mercados e estratégias, o que pode aumentar sua competitividade nos próximos anos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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