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Delação de ‘Beto Louco’ expõe esquema de R$ 400 milhões em fraudes de combustíveis na Bahia

Imagem gerada com IA
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O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA). A colaboração, que já embasou a recente Operação Khalas, revela um complexo esquema de fraude fiscal e pagamento de propina no estratégico setor de combustíveis baiano. As revelações apontam para um prejuízo estimado em R$ 400 milhões aos cofres do estado, envolvendo a adulteração de milhões de litros de combustíveis.

A delação de “Beto Louco” ganha destaque por sua amplitude e pelas conexões que o empresário possui com investigações de grande porte, como a Operação Carbono Oculto, em São Paulo, que apura a infiltração do crime organizado, incluindo o PCC, no mercado de combustíveis. Este cenário nacional de combate à corrupção e à sonegação fiscal ressalta a importância de investigações como esta para a integridade econômica de estados como o Rio de Janeiro e a Região dos Lagos.

A Operação Khalas e o Rombo na Bahia

As informações fornecidas por Roberto Augusto Leme da Silva foram cruciais para a deflagração da Operação Khalas pelo MP-BA em 21 de maio de 2026. A ação mira uma rede de corrupção e crimes tributários que envolve a Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA) e o setor de combustíveis. Segundo o Ministério Público baiano, o esquema causou um rombo de aproximadamente R$ 400 milhões e está ligado à adulteração de cerca de 111 milhões de litros de combustíveis.

A Operação Khalas resultou na prisão preventiva de três pessoas, incluindo um servidor público estadual. Além disso, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Candeias. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de cinco pessoas físicas e sete pessoas jurídicas envolvidas. O grupo é acusado de pagar vantagens indevidas a servidores estaduais e municipais para obter proteção e facilidades ilegais.

O Histórico de ‘Beto Louco’ e a Carbono Oculto

A delação na Bahia ocorre após uma tentativa frustrada de colaboração em São Paulo. Em 6 de maio de 2026, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) rejeitou um acordo de delação premiada proposto por “Beto Louco” e Mohamad Hussein Moraes, conhecido como “Primo”. Os investigados ofereciam R$ 1 bilhão, mas os promotores estimavam uma sonegação fiscal de R$ 4 bilhões e apontavam suspeitas de pagamento de propina a fiscais. Entre os citados na investigação paulista está Olavo Oliva, auditor fiscal e integrante da Coordenação de Petróleo e Combustíveis da Sefaz-SP.

Roberto Augusto Leme da Silva é figura central em diversas apurações sobre fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. Em agosto de 2025, o MP-SP deflagrou a Operação Carbono Oculto, uma ofensiva contra a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) nesse mercado. A operação mobilizou cerca de 1.400 agentes em oito estados, investigando o uso de empresas de combustíveis e biocombustíveis para sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que financia o PCC.

Conexões e o Alcance Político da Investigação

Em setembro de 2025, “Beto Louco” foi mencionado no depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho à Polícia Federal. Caputti afirmou ter transportado, em aeronaves da Táxi Aéreo Piracicaba, foragidos apontados como chefes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, incluindo Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Moraes. Este depoimento levou a PF a incluir Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, em uma investigação relacionada à operação, embora Rueda negue qualquer irregularidade.

A ampliação do alcance político da Carbono Oculto e a delação de “Beto Louco” na Bahia demonstram a complexidade e a capilaridade dos esquemas de fraude no setor de combustíveis, um problema que afeta a arrecadação e a segurança pública em todo o Brasil, incluindo cidades do Norte Fluminense e da Costa do Sol.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.

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