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Doação de leite cresce no RJ, mas bebês da Região dos Lagos ainda esperam

O volume de leite humano doado no estado do Rio de Janeiro registrou um aumento de 11% no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Fiocruz. A notícia traz alívio, mas um alerta: a quantidade ainda é insuficiente.

Apesar do crescimento, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que é preciso um aumento de pelo menos 20% para atender à demanda de todos os bebês que precisam do alimento vital, especialmente em regiões estratégicas como a Região dos Lagos.

Entre janeiro e junho, foram arrecadados 470 litros a mais que no mesmo período do ano anterior. Surpreendentemente, esse avanço ocorreu mesmo com uma leve queda no número de doadoras. Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz, explica que a produção de leite é individual e depende de fatores psicológicos, fisiológicos e de estímulos.

A situação mais preocupante se concentra em áreas do estado que não possuem Bancos de Leite Humano, mas contam com UTIs neonatais. A Baía de Ilha Grande, a Região Norte e, de forma crítica para a nossa região, a Região dos Lagos, enfrentam essa lacuna. A especialista ressalta a urgência de ampliar doações e criar novas unidades nestes locais.

A necessidade do leite doado é uma realidade para muitas famílias. Damires Teixeira Pontes, designer de 37 anos, precisou recorrer a um Banco de Leite quando seus filhos gêmeos nasceram prematuros na Zona Norte do Rio. Sem conseguir sugar e com a mãe sem produção suficiente naquele momento, o leite doado foi essencial.

“O leite doado, com certeza, representou a sobrevivência dos meus filhos”, relata Damires, emocionada. “Foi a energia necessária, o básico para a sobrevivência deles. Foi essencial na vida dos meus filhos.” A experiência a motivou a querer doar assim que tiver oportunidade.

Do outro lado, a engenheira civil Débora Cristina, de 35 anos, da Tijuca, descobriu a importância de doar ao perceber que tinha excedente. Inicialmente, ela armazenava para o filho, Dante, mas acabava descartando parte por estar sempre com o bebê.

“Não posso continuar jogando fora quando tantos bebês necessitam”, disse Débora, que então decidiu contribuir. A conscientização sobre a importância da doação e a expansão da rede de apoio são passos cruciais para que nenhum bebê fique sem este alimento vital.

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