O embaixador da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasili Nebenzia, abordou a situação atual em Cuba, desmentindo a ideia de que existem traidores no país que estariam colaborando com os Estados Unidos. Em sua análise, Nebenzia destacou que a crise cubana é distinta da que levou à instabilidade na Venezuela, onde, segundo ele, houve traição interna contra o governo de Nicolás Maduro. A declaração foi feita em um contexto onde as tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e Cuba continuam a ser um foco de preocupação internacional.
Diferenciação entre Cuba e Venezuela
O embaixador russo enfatizou que, ao contrário da Venezuela, onde estima-se que parte dos altos funcionários traiu o presidente Maduro, em Cuba essa dinâmica não se aplica. Ele afirmou que "na Venezuela, sem dúvida, houve uma traição" e que isso é um tema amplamente discutido. Nebenzia também mencionou que a estratégia da Rússia em relação a Cuba é diferente, acreditando que os eventos que ocorreram na Venezuela não se repetirão na ilha caribenha.
Apoio russo a Maduro
Nicolás Maduro é visto como um aliado estratégico do Kremlin na América Latina, enquanto Cuba ocupa uma posição secundária nessa relação. O governo russo tem defendido a permanência de Maduro no poder, com o presidente Vladimir Putin evitando críticas diretas ao governo dos Estados Unidos, especialmente em relação às políticas que afetam a Venezuela e, por extensão, Cuba.
A resposta de Cuba às sanções dos EUA
O governo cubano manifestou forte oposição às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a países que fornecem petróleo à ilha. Havana descreveu essa medida como uma "ameaça incomum e extraordinária" à sua segurança nacional e política externa. Estas tarifas visam intensificar a pressão econômica sobre Cuba, que já enfrenta desafios significativos em seu abastecimento energético.
Dependência do petróleo russo
Relatórios do Instituto de Energia da Universidade do Texas indicam que, em 2024, a Rússia forneceu cerca de 6 mil barris diários de petróleo a Cuba, o que tem sido crucial para o abastecimento energético da ilha. A dependência do petróleo russo é um fator importante para a sustentabilidade econômica de Cuba, especialmente em um cenário de possíveis bloqueios ou sanções mais rigorosas.
Preocupações sobre um possível bloqueio total
Recentemente, o Kremlin expressou preocupação com informações sobre a possibilidade de um bloqueio total dos Estados Unidos a Cuba, que poderia ter como objetivo forçar uma mudança de regime. O ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokóltsev, durante uma visita oficial a Cuba, reforçou a posição russa de apoio ao governo cubano, classificando as ações dos Estados Unidos como agressões.
Relações militares entre Rússia e Cuba
Em março de 2025, Cuba e Rússia assinaram um acordo de cooperação militar, solidificando ainda mais suas relações bilaterais e posicionando a Rússia como um dos principais parceiros comerciais e estratégicos da ilha. Este acordo é visto como uma resposta às pressões externas e um fortalecimento da aliança entre os dois países.
Reações dos Estados Unidos
Em um evento recente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que "Cuba não poderá sobreviver" às novas tarifas impostas a países que fornecem petróleo à ilha. Ele caracterizou Cuba como uma "nação em decadência" e, embora tenha reconhecido a necessidade de compaixão, reforçou a ideia de que o governo cubano tem tratado mal seu povo. Essas declarações ocorreram logo após a assinatura de uma ordem executiva para aumentar a pressão econômica sobre o país.
A estratégia de pressão econômica
O governo dos Estados Unidos justifica a imposição de tarifas como uma maneira de intensificar a pressão sobre o regime cubano, especialmente após a interrupção no fornecimento de petróleo da Venezuela. Essa estratégia visa não apenas impactar a economia cubana, mas também incentivar mudanças políticas na ilha.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br