O empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi detido no último sábado, dia 17, em Praia do Forte, no município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia. Sua prisão ocorre quase 24 anos após o assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, crime pelo qual foi condenado pela Justiça de São Paulo. A captura foi possível graças ao uso de tecnologia de monitoramento facial, conforme informações da Polícia Militar da Bahia.
Prisão e apreensões
Durante a sua detenção, a polícia encontrou com Nahas 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo. O mandado de prisão havia sido expedido em 25 de junho de 2022, após o esgotamento de todos os recursos de defesa nas instâncias superiores. O Supremo Tribunal Federal (STF) havia negado o último pedido da defesa, o que resultou na determinação do cumprimento de uma pena de oito anos e dois meses em regime fechado.
Status de foragido
Na condição de foragido, o nome e a imagem de Sérgio Nahas estavam na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Após sua detenção, ele foi levado à Polinter e participou de uma audiência de custódia em 19 de janeiro. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, ele será transferido para o sistema prisional paulista.
O caso de Fernanda Orfali
O assassinato de Fernanda Orfali ocorreu em setembro de 2002, no apartamento do casal localizado no bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo. Na época, Fernanda, que tinha apenas 28 anos, foi morta com um tiro. Investigações revelaram que a vítima teria descoberto que Nahas era usuário de cocaína e mantinha relacionamentos extraconjugais.
Versão de suicídio contestada
Sérgio Nahas alegou que sua esposa sofria de depressão e que a morte teria sido um suicídio. Ele afirmou ter ouvido um disparo vindo do closet e encontrado Fernanda agonizando. A arma utilizada no crime, que não tinha registro, pertencia ao empresário. Essa versão foi contestada pela perícia e pela acusação, que resultou em sua denúncia por homicídio doloso.
Julgamento e condenação
O julgamento de Sérgio Nahas pelo Tribunal do Júri ocorreu apenas em 2018, 16 anos após o ocorrido. Inicialmente, ele foi condenado a sete anos em regime semiaberto, mas essa pena foi aumentada e o regime alterado para fechado após um recurso do Ministério Público de São Paulo. Durante todo o trâmite judicial, que se prolongou por quase três vezes o tempo da pena estabelecida, Nahas permaneceu em liberdade.
Implicações do caso
O caso de Sérgio Nahas levanta questões sobre a lentidão do sistema judiciário e a busca por justiça em casos de violência contra a mulher. A espera de 16 anos para que o julgamento ocorresse evidencia a complexidade dos processos legais no Brasil e a necessidade de melhorias na agilidade dos mesmos, além de ressaltar a importância da utilização de novas tecnologias na captura de foragidos.
Fonte: https://jovempan.com.br