A deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, tomou uma medida drástica ao apresentar uma representação ao Ministério Público do Paraná. O objetivo é investigar a atuação do governo estadual, especificamente no programa de escolas cívico-militares, após denúncias de abuso sexual que envolvem alunas de uma unidade de ensino. As denúncias surgiram em meio a um contexto de embate público entre Hilton e o apresentador Ratinho, levantando questões sobre a segurança e proteção das crianças e adolescentes nas escolas.
Denúncias de abuso em escola cívico-militar
As denúncias relatadas por nove alunas, com idades entre 11 e 13 anos, afirmam que um monitor militar teria cometido atos de abuso sexual, tocando indevidamente partes de seus corpos. O monitor, que é um policial aposentado, estava credenciado para atuar no programa estadual desde 2021. O caso teria ocorrido em 2023, em uma escola localizada em Cornélio Procópio, no norte do Paraná.
Ações do governo e transferências
Hilton destacou que, apesar das graves denúncias, o monitor permaneceu na escola por aproximadamente dois anos. A única ação tomada pelo governo foi a transferência do profissional para o setor administrativo da mesma instituição de ensino. A deputada expressou sua indignação nas redes sociais, afirmando que a medida era inadequada, uma vez que o militar, mesmo afastado da função de inspetor, continuava a ter acesso a informações sensíveis, incluindo endereços e imagens das vítimas.
Críticas ao modelo de escolas cívico-militares
Além das denúncias de abuso, Erika Hilton criticou o modelo de escolas cívico-militares implantado no estado e seu funcionamento. Para ela, a presença de militares nas escolas, sem a supervisão direta de profissionais da educação ou da comunidade escolar, representa um risco à segurança dos estudantes. Hilton enfatizou que esse modelo fere o dever do Estado de assegurar a proteção integral da criança e do adolescente.
Repercussão na mídia e apelo à investigação
A deputada também observou que o caso teve repercussão limitada na imprensa local, enquanto uma reportagem da BBC, do Reino Unido, contribuiu para dar maior visibilidade à situação. Na representação ao Ministério Público, Hilton solicitou uma investigação minuciosa tanto sobre as denúncias de abuso quanto sobre a resposta do governo do Paraná em relação ao caso, destacando a necessidade de medidas mais efetivas para proteger as alunas.
Embate entre Erika Hilton e Ratinho
As críticas de Erika Hilton ocorrem em um momento tenso, logo após um embate público com o apresentador Ratinho, que aconteceu durante o Programa do Ratinho, exibido pelo SBT. Na ocasião, o apresentador fez comentários hostis sobre a eleição de Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, questionando sua identidade de gênero. Este episódio gerou uma nova onda de debate sobre discriminação e respeito às identidades de gênero.
Ação contra a emissora
Após a exibição do programa, Erika Hilton pediu ao Ministério das Comunicações a suspensão da atração por 30 dias e a abertura de um processo administrativo contra a emissora, alegando que as declarações feitas por Ratinho configuram discriminação e transfobia. A parlamentar busca garantir que questões de respeito e dignidade sejam tratadas com a seriedade que merecem, especialmente em um contexto onde as vozes de grupos marginalizados precisam ser ouvidas.
Este caso envolvendo Erika Hilton, Ratinho e as denúncias de abuso em escolas cívico-militares destaca a necessidade urgente de discutir a segurança e os direitos das crianças e adolescentes, bem como os desafios enfrentados por representantes que lutam contra a discriminação e por justiça social no Brasil.
Fonte: https://gazetabrasil.com.br