Um novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que o cyberbullying raramente é isolado, sendo uma extensão direta da violência física e verbal que ocorre nas escolas, afetando milhares de adolescentes.
A pesquisa aponta que agressores e vítimas frequentemente alternam papéis, criando um ciclo vicioso de violência que atravessa o mundo físico e digital, com sérias consequências para a saúde mental dos jovens.
O levantamento, que incluiu 4.200 adolescentes do ensino fundamental e médio, identificou que uma pequena parcela (6%) vive o ciclo mais perigoso: são os “vítimas-agressores em múltiplos contextos”, que sofrem e praticam violência tanto na escola quanto online.
Este grupo concentra as maiores vulnerabilidades. Mais da metade (52,4%) apresenta sintomas psicológicos clínicos, uma chance 11 vezes maior que os colegas sem envolvimento. Além disso, há forte associação com o uso de álcool, tabaco e outras drogas, com 7 em cada 10 já tendo bebido alguma vez na vida.
A professora Zila Sanchez, coordenadora do estudo da Unifesp, ressalta a urgência: "A violência acontece com o mesmo jovem na escola e pela internet. Não dá para fazer um programa apenas voltado à saúde mental, outro à prevenção ao uso de drogas e um terceiro contra o bullying. Tudo está ligado."
Para a especialista, a mudança de comportamento dos adolescentes, como isolamento ou irritabilidade frequente, serve como alerta. Desde janeiro, o bullying e cyberbullying foram tipificados como crimes pela Lei nº 14.811/2024, com penas que variam de multa a reclusão.
O cenário reforça a necessidade de programas escolares integrados, que abordem prevenção à violência, saúde mental e combate ao uso de substâncias, para proteger os jovens da Região dos Lagos e de todo o Brasil.