Fonte de dados meteorológicos: Wetter vorhersage 30 tage

PUBLICIDADE

Estudo revela diferenças entre febre do Oropouche e dengue

© Bruna Lais Sena do Nascimento/Laboratório de Entomologia Médica/SEARB/IEC

Um estudo recente realizado por pesquisadores brasileiros durante um surto de febre do Oropouche em 2024 visa melhorar o diagnóstico e a diferenciação entre essa doença e a dengue, especialmente em regiões onde ambas as enfermidades circulam simultaneamente. Intitulado 'Perfis clínicos e laboratoriais da doença do vírus Oropouche no surto de 2024 em Manaus, Amazônia Brasileira', o estudo foi publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases e revela semelhanças e diferenças entre os sintomas das duas doenças, apontando a importância de um diagnóstico preciso.

Sintomas da febre do Oropouche e dengue

Os sintomas da febre do Oropouche e da dengue são frequentemente confundidos, pois ambos apresentam características semelhantes, como febre e dores no corpo. No entanto, a pesquisa destaca algumas diferenças significativas que podem ajudar na identificação do quadro clínico. Segundo a médica pesquisadora Maria Paula Mourão, as dores de cabeça na febre do Oropouche tendem a ser mais intensas e as dores articulares mais frequentes. Além disso, as erupções cutâneas costumam ser mais disseminadas nesta doença.

Alterações laboratoriais

O estudo também identificou alterações laboratoriais mais expressivas na febre do Oropouche, como um aumento discreto nas enzimas hepáticas, e diferenças na resposta do sistema imunológico. Em contraste, a dengue é caracterizada pela diminuição das plaquetas, que pode levar a um maior risco de sangramentos e choque. Apesar das diferenças nos sintomas e nos sinais laboratoriais, Mourão alerta que apenas a observação clínica não é suficiente para diferenciar com segurança as duas doenças.

Desafios no diagnóstico

Mourão enfatiza que tanto a população quanto os profissionais de saúde enfrentam dificuldades em distinguir entre febre do Oropouche e dengue apenas pelos sintomas apresentados. Por isso, a prioridade deve ser o manejo adequado dos sintomas, independentemente do nome da doença. A médica também alerta sobre a importância de reconhecer sinais de gravidade, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, que requerem atenção médica imediata.

Grupos em risco

A pesquisadora destaca que gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas necessitam de um cuidado especial ao apresentarem febre, mesmo que os sintomas iniciais sejam leves. Para esses grupos, é recomendável buscar avaliação médica precoce, evitando esperar pela piora do quadro de saúde.

Características do surto de 2024

O estudo foi realizado por um grupo de pesquisadores da Rede de Vigilância em Saúde Ampliada, com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ItpS). Os pesquisadores acompanharam pacientes com doenças febris agudas na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, em Manaus, onde foram coletados dados clínicos e laboratoriais durante um período de até 28 dias. Os resultados indicaram que o surto de febre do Oropouche em Manaus foi causado por uma linhagem do vírus com maior virulência, já identificada em anos anteriores, mas com novas características que aumentaram sua capacidade de replicação.

Mudanças genéticas e fatores ambientais

As modificações genéticas observadas na linhagem do vírus que circulou em 2024 sugerem uma transmissão contínua local. Os pesquisadores afirmam que, embora as alterações genéticas possam ter contribuído para a gravidade do surto, fatores ambientais e climáticos, bem como a presença do vetor, desempenham papéis cruciais na disseminação da doença.

Transmissão e prevenção

A febre do Oropouche é causada por um vírus transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim. Após picar um animal ou humano infectado, o mosquito pode transmitir o vírus a outras pessoas. A dengue, por sua vez, é uma arbovirose endêmica no Brasil, sendo muito conhecida devido à sua alta incidência, associada ao mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em ambientes com condições climáticas favoráveis.

Importância do cuidado e conscientização

A conscientização sobre os sintomas e o manejo adequado das arboviroses é fundamental para a saúde pública. A identificação precoce e o tratamento adequado podem reduzir o risco de complicações graves. Portanto, é essencial que a população esteja informada sobre as características das doenças e busque atendimento médico ao apresentar sintomas, especialmente em épocas de surtos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE