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EUA apertam cerco à Venezuela com sanções e apreensão de petroleiro

G1

Os Estados Unidos elevaram consideravelmente a pressão sobre a Venezuela, implementando novas sanções contra familiares do presidente Nicolás Maduro e diversas empresas ligadas ao transporte de petróleo do país sul-americano. Em uma medida que aumenta os receios de um conflito aberto, Washington também assumiu o controle de um petroleiro venezuelano em alto-mar e anunciou que a embarcação será escoltada até um porto americano. Essas ações, que incluem acusações de narcotráfico e pirataria, marcam uma nova fase na tensa relação bilateral, gerando fortes reações internacionais e do próprio governo venezuelano, que classifica a apreensão como um ato criminoso.

Ações coordenadas e novas sanções

A escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela foi marcada por uma série de medidas coordenadas anunciadas por Washington. O Departamento do Tesouro dos EUA divulgou novas sanções, que desta vez miram diretamente três sobrinhos da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, além de seis empresas e seis navios petroleiros envolvidos no transporte de petróleo da Venezuela. Essas ações vêm acompanhadas de fortes declarações do governo americano, que reitera suas acusações de que o regime venezuelano estaria envolvido em atividades ilícitas, incluindo o narcotráfico.

Miras na família presidencial

O foco nas sanções contra a família de Nicolás Maduro é um ponto central da nova estratégia americana. O Departamento do Tesouro afirmou que dois dos sobrinhos de Cilia Flores são “traficantes de drogas que atuam na Venezuela”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi enfático ao declarar que “Nicolás Maduro e seus parceiros criminosos na Venezuela estão inundando os Estados Unidos com drogas que envenenam o povo americano”, justificando as medidas como uma forma de combater essa ameaça percebida. As sanções buscam, assim, descapitalizar o governo venezuelano e desarticular redes que, segundo Washington, seriam utilizadas para financiar o que chama de “regime”.

Apreensão do petroleiro: Um ato de “pirataria”

Paralelamente às sanções, as forças americanas realizaram uma operação de alto risco que resultou na apreensão de um petroleiro carregado com petróleo venezuelano na costa da Venezuela. A operação envolveu a descida de tropas de helicópteros até a embarcação, que transportava cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo, segundo registros de tráfego marítimo, ou 1,9 milhão, conforme alegado por Maduro. A Casa Branca, através de sua porta-voz Karoline Leavitt, confirmou que a tripulação do navio está sendo interrogada e que a embarcação será conduzida a um porto americano. O petroleiro, que já havia sido identificado em 2022 por supostos vínculos com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e o Hezbollah, agora se encontra sob controle americano, simbolizando um endurecimento na postura dos EUA.

Reações e desdobramentos internacionais

A apreensão do navio provocou uma onda de condenações por parte de Caracas e aliados. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, classificou a ação como um ato de “pirataria naval criminosa” e “roubo descarado”, acusando os Estados Unidos de inaugurarem uma nova era de crimes no Caribe. Horas após o incidente, Maduro conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, que reiterou seu apoio ao governo venezuelano, informou o Kremlin. A solidariedade a Maduro também foi expressa por Cuba, um país que depende da Venezuela para suas necessidades energéticas. No entanto, a opositora venezuelana María Corina Machado, ao chegar a Oslo para receber o Prêmio Nobel da Paz, manifestou seu apoio ao presidente americano Donald Trump e à campanha contra Maduro, destacando a divisão interna e internacional sobre a crise venezuelana. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “preocupado” com a apreensão, ressaltando a delicadeza da situação.

Escalada de tensões e histórico de acusações

A recente apreensão do petroleiro e as novas sanções representam uma escalada significativa na campanha de hostilidade contra a Venezuela, um país já devastado por uma profunda crise econômica e isolado politicamente. A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, celebrou a operação como um “golpe ao ‘regime’ socialista de Caracas” e uma ação bem-sucedida para “contra-atacar um regime que sistematicamente enche o nosso país de drogas mortais”. A ordem de confisco emitida pelo FBI distingue esta operação de outros ataques letais em alto-mar contra lanchas supostamente ligadas ao narcotráfico.

Washington tem acusado a Venezuela de ser um Estado envolvido com o narcotráfico há anos. O próprio presidente Maduro é alvo de acusações formais em um tribunal de Nova York por supostamente liderar o denominado “Cartel de los Soles”. O histórico de acusações inclui a detenção, em 2016, no Haiti, de dois sobrinhos de Cilia Flores, Franqui Francisco Flores de Freitas e Efraín Antonio Campos Flores, que foram condenados em Nova York em 2017 por tráfico de drogas. Eles foram posteriormente libertados durante a gestão do presidente Joe Biden em troca de sete prisioneiros americanos na Venezuela. Agora, o Departamento do Tesouro retomou o caso, impondo novas sanções a eles e a um terceiro sobrinho, Carlos Erik Malpica Flores, além das seis empresas de navegação. A presença militar americana na região, incluindo o maior porta-aviões do mundo e milhares de fuzileiros navais, sublinha a seriedade da postura de Washington. O ex-presidente Donald Trump também afirmou ter dado sinal verde para a CIA operar dentro da Venezuela, o que sugere um envolvimento mais profundo da inteligência americana. A opositora María Corina Machado, por sua vez, mencionou que os Estados Unidos a auxiliaram a sair do país, adicionando uma camada de complexidade às dinâmicas internas e externas da crise venezuelana.

Fonte: https://g1.globo.com

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