A ex-vereadora de Armação dos Búzios, Gladys Pereira Rodrigues da Costa, foi presa na última terça-feira, 24 de outubro, durante uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A prisão ocorreu em razão de investigações relacionadas a um esquema de 'rachadinha', que teria desviado cerca de R$ 200 mil de salários de assessores entre os anos de 2017 e 2020. A ex-parlamentar, ao ser detida, manifestou descontentamento e fez gestos desafiadores em direção ao prefeito da cidade, Alexandre Martins, gerando repercussão nas redes sociais e na imprensa local.
Operação e prisão
A operação que resultou na prisão de Gladys foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ. A Justiça havia autorizado mandados de prisão e de busca e apreensão, que foram cumpridos por promotores e agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ. A investigação levou à denúncia de Gladys e outras três pessoas por associação criminosa e peculato, crimes que envolvem a apropriação e desvio de recursos públicos.
Denúncias e investigação
As denúncias que fundamentaram a operação começaram a surgir em 2022, após um trabalho investigativo que revelou a prática de 'rachadinha'. Segundo o MPRJ, Gladys exigia a devolução de parte ou da totalidade dos salários de seus assessores comissionados. Após os pagamentos serem realizados pela Câmara Municipal, os valores eram sacados e repassados em espécie ou por meio de depósitos bancários. A apuração identificou 87 depósitos em dinheiro na conta da ex-vereadora, totalizando R$ 206.013,37 entre 2017 e 2019.
Reações durante a prisão
No momento da prisão, Gladys demonstrou resistência e descontentamento. Imagens exclusivas mostram a ex-vereadora fazendo gestos de provocação e xingando o prefeito Alexandre Martins. Ela chegou a afirmar que tomaria providências contra o prefeito, acusando-o de ser responsável pela sua detenção. Essas declarações foram capturadas por cinegrafistas presentes no local e rapidamente se espalharam nas redes sociais.
Circunstâncias da detenção
Durante as diligências, a equipe do MPRJ teve dificuldades para localizar um celular que estava sendo investigado, o qual foi finalmente encontrado atrás de um armário na casa da ex-vereadora. Gladys havia alegado que o aparelho estava com um assessor, mas a descoberta contradisse sua declaração. Após sua detenção, a filha e o marido de Gladys também compareceram à delegacia.
Acusações e defesa
Os ex-assessores da vereadora relataram que os repasses financeiros eram uma condição para a manutenção em seus cargos, e alguns deles firmaram Acordos de Não Persecução Penal com o Ministério Público. A investigação também levantou questões sobre a indicação de familiares para cargos comissionados durante o mandato de Gladys, o que pode agravar ainda mais a situação da ex-parlamentar.
Nota da Prefeitura
O prefeito Alexandre Martins se manifestou publicamente sobre as acusações feitas por Gladys, reiterando que não possui qualquer relação com a prisão dela e que os fatos investigados ocorreram durante seu mandato anterior. Martins afirmou que as acusações contra ele são tentativas de desviar a atenção dos problemas que Gladys enfrenta e que tomará as medidas judiciais necessárias para proteger sua imagem e honra pessoal.
O caso da ex-vereadora Gladys Pereira Rodrigues da Costa destaca a importância das investigações sobre a corrupção e a má gestão de recursos públicos, especialmente em cargos eletivos. As consequências de tais práticas não apenas afetam a administração pública, mas também a confiança da população nas instituições democráticas.
Fonte: https://g1.globo.com