A exoneração da servidora Ana Raquel Gomes da Silva, que atuou por mais de 40 anos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gerou um clima de tensão entre os funcionários da instituição. A dispensa ocorreu na quarta-feira, dia 28, e marca a quinta baixa no órgão em uma semana, refletindo uma possível crise na área de Contas Nacionais. Ana Raquel foi retirada da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi), um setor essencial responsável pelas publicações do IBGE.
Contexto da exoneração
A exoneração de Ana Raquel levantou suspeitas de que esta poderia ser uma forma de retaliação. A servidora teria denunciado, no ano anterior, o uso das publicações oficiais do IBGE para fins de propaganda política, o que gerou polêmica dentro da instituição. Este cenário se intensificou com a divulgação do periódico 'Brasil em números 2024', que incluía um artigo da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, em que ela elogiava as ações do seu governo e a gestão do IBGE.
Reações internas
Funcionários da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) expressaram sua insatisfação com a situação, emitindo uma carta contra os comunicados da presidência do IBGE. A mensagem destacava a inadequação do tom político presente nas publicações, evidenciando a preocupação com a imparcialidade do instituto. Essa tensão interna foi exacerbada com a exoneração de Ana Raquel e outros desligamentos recentes.
Mudanças na liderança da área
Além da exoneração de Ana Raquel, a área de Contas Nacionais já enfrentava mudanças significativas em sua liderança. A pesquisadora Rebeca Palis foi afastada da coordenação, conforme noticiado por colunistas da mídia. Faltando pouco mais de um mês para a divulgação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, as substituições podem impactar a continuidade dos trabalhos na área.
Outras exonerações
Três outros servidores também deixaram seus cargos na mesma área, incluindo Cristiano Martins, que era o gerente de Bens e Serviços. Ele se desligou em solidariedade a Rebeca, enquanto Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta, também foram exonerados. As baixas na equipe levantam preocupações sobre possíveis atrasos em revisões e projetos em andamento, com funcionários temendo mais exonerações.
Impacto nas operações do IBGE
A série de exonerações no IBGE pode comprometer a qualidade e a eficiência dos trabalhos realizados pelo instituto, especialmente em um momento crucial para a divulgação de indicadores econômicos. A área de Contas Nacionais é fundamental para os cálculos do PIB, um indicativo chave da saúde econômica do país. Funcionários expressam preocupações sobre a capacidade da nova gestão de manter os padrões esperados nas publicações e nas análises estatísticas.
Expectativas futuras
Enquanto o clima de insegurança persiste, a expectativa é de que a nova liderança consiga não apenas estabilizar a situação interna, mas também garantir a continuidade e a integridade das publicações do IBGE. O futuro da área de Contas Nacionais e suas operações a partir dessas mudanças ainda permanece incerto, deixando os funcionários e o público em geral atentos às próximas movimentações do instituto.
Fonte: https://extra.globo.com