Um homem de 33 anos, suspeito de ter ligações com o Hamas e participação no ataque que resultou na morte de 60 pessoas em um kibutz israelense em 7 de outubro de 2023, foi detido nos Estados Unidos. A prisão é considerada um caso inédito no país.
Mahmoud Amin Ya’Qub Al-Muhtadi foi preso em Lafayette, Louisiana, onde residia e trabalhava. A acusação formal apresentada à Justiça federal aponta que ele teria mentido em formulários de visto sobre seu envolvimento com atividades terroristas contra Israel. A prisão ocorreu na quinta-feira (16).
Investigações apontam que Al-Muhtadi era membro de um grupo militar ligado ao Hamas. Após o ataque, ele teria organizado outros militantes, cruzado a fronteira para Israel e participado do ataque ao kibutz Kfar Aza, onde 60 pessoas foram mortas e 19 foram sequestradas, incluindo quatro americanos que faleceram e um que foi feito refém.
O acusado, identificado como um oficial sênior, era responsável por treinar jovens militantes nas Brigadas da Resistência Nacional (NRB), braço militar da Frente Democrática para a Libertação da Palestina (DFLP). Segundo a denúncia, Al-Muhtadi recebeu a ordem de mobilização do comandante do Hamas, Mohammed Deif, às 8h12 do dia do ataque, e coordenou um grupo armado que se deslocou de Gaza para Israel. Dados de celular indicam sua presença próxima a Kfar Aza às 10h01.
Em interceptações telefônicas, Al-Muhtadi expressava entusiasmo com a ação do Hamas e instruía seus seguidores a portarem armas, munição e carregadores. Em uma das conversas, ele mencionou a possibilidade de Síria e Líbano se juntarem ao conflito, prevendo uma possível terceira guerra mundial.
Entre as vítimas do ataque estavam cidadãos americanos, incluindo um jovem de 22 anos que servia nas Forças de Defesa de Israel (IDF). A filha de três anos de uma das vítimas foi sequestrada e mantida como refém por 50 dias.
Al-Muhtadi solicitou um visto para os EUA em junho de 2024, omitindo informações sobre seu histórico militar e envolvimento com terrorismo. Ele chegou a Tulsa, Oklahoma, em setembro de 2024, declarando que trabalharia com reparo de carros ou serviços de alimentação, antes de se mudar para Lafayette.
Na sexta-feira (17), Al-Muhtadi compareceu ao tribunal federal em Lafayette, enfrentando acusações de fraude de visto e fornecimento de apoio material a organização terrorista estrangeira. Ele permanece detido sem direito a fiança e, se condenado pela acusação de terrorismo, pode enfrentar pena de prisão perpétua.
A procuradora-geral dos EUA destacou a importância da prisão como um passo crucial para responsabilizar os envolvidos nos ataques de 7 de outubro. Especialistas em contraterrorismo preveem que outras prisões podem ocorrer em breve, à medida que as investigações continuam.
Estima-se que cerca de 1.200 pessoas foram mortas no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, incluindo 49 americanos, e 250 foram sequestradas.
Fonte: gazetabrasil.com.br