Recentemente, um filhote de macaco-japonês, conhecido como Punch, tem chamado a atenção nas redes sociais após ser rejeitado pela mãe e pelo grupo de macacos no zoológico de Ichikawa, no Japão. Os vídeos que mostram Punch abraçando um orangotango de pelúcia viralizaram, gerando comoção e discussões sobre o comportamento animal e a importância do vínculo materno. A veterinária especialista em animais silvestres, Sinara Matos, explicou que a rejeição e o apego ao brinquedo são consequências diretas da falta de contato materno, refletindo as dificuldades sociais enfrentadas por um filhote sem a presença da mãe para guiá-lo em seu desenvolvimento social.
O comportamento de Punch e sua rejeição
Os vídeos que mostram Punch tentando se integrar ao grupo de macacos, mas sendo evitado, expõem a dura realidade da rejeição. Em um dos registros, o filhote é arrastado por uma macaca adulta, que provavelmente é a mãe de outro filhote, demonstrando instintos protetores. Essa interação negativa resultou em Punch buscando consolo na pelúcia, revelando uma dinâmica de abandono e solidão. A veterinária Sinara Matos destaca que o vínculo entre mãe e filhote é fundamental nos primatas, especialmente nos primeiros meses de vida, e a falta desse contato pode resultar em dificuldades de socialização.
A importância do vínculo materno
De acordo com Sinara, a apresentação do recém-nascido ao grupo ocorre principalmente por meio da mãe, que ensina ao filhote a linguagem social, a postura correta e a hierarquia do grupo. Filhotes que não têm essa figura materna enfrentam maiores desafios para se integrarem. A rejeição inicial que Punch enfrenta é uma resposta comum entre os membros do grupo quando não há uma mãe para realizar essa intermediação, dificultando a aceitação do filhote.
Objetos como substitutos do contato físico
Punch foi abandonado ao nascer, e os tratadores do zoológico tiveram que agir rapidamente para garantir seu desenvolvimento. A veterinária Sinara Matos explicou que o uso de objetos como substitutos do contato físico é uma prática comum na medicina de animais silvestres. Antes de oferecer o orangotango de pelúcia, a equipe testou toalhas enroladas e outros brinquedos, buscando algo que proporcionasse conforto ao filhote. O orangotango foi escolhido por seu design, que se assemelha a um macaco, facilitando uma possível reintegração futura ao grupo.
A escolha do brinquedo ideal
O tratador Kosuke Shikano ressaltou que a pelúcia possui pelos longos e pontos que são fáceis de segurar, o que pode ajudar Punch a lidar melhor com a ausência materna. A abordagem cuidadosa dos tratadores reflete uma preocupação em promover não apenas o conforto imediato de Punch, mas também sua eventual reintegração social com os outros macacos.
Impactos da privação maternal
Embora a narrativa de abandono tenha gerado grande repercussão nas redes sociais, Sinara Matos lembra que Punch não possui a mesma compreensão do conceito de abandono que os humanos. O que ocorre é um resultado fisiológico da privação materna, que pode acarretar efeitos como aumento do cortisol, dificuldade de regulação emocional e atraso no desenvolvimento social. Essa privação pode afetar a capacidade do filhote de interagir adequadamente com seus pares.
O processo de socialização de Punch
O zoológico informou que Punch já teve outros desentendimentos com membros do grupo, mas isso é considerado parte do processo de aprendizado. A equipe acredita que, com o tempo, Punch irá se integrar gradualmente, e o uso do brinquedo pode ser um passo importante para essa transição. Após o incidente de ser arrastado, o filhote voltou a interagir com os outros macacos e apresentou um comportamento normal durante as alimentações, sugerindo que ele ainda tem potencial para se adaptar e se desenvolver socialmente.
Fonte: https://g1.globo.com