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Gianni Infantino e a transformação da Fifa na última década

Estadão

Gianni Infantino completou uma década à frente da Fifa, período marcado por mudanças significativas na organização do futebol mundial. Desde sua eleição, ele tem se destacado por implementar promessas ambiciosas e lidar com desafios financeiros e políticos. Sob sua liderança, a entidade não apenas ampliou sua receita, mas também se envolveu em polêmicas, especialmente no que diz respeito a parcerias com países que têm histórico de violações de direitos humanos. O novo formato da Copa do Mundo, que agora contará com 48 seleções, é um dos legados mais visíveis de sua gestão, que também se entrelaça com a política internacional, especialmente a dos Estados Unidos e do Oriente Médio.

Desafios iniciais e recuperação financeira

Quando Infantino assumiu a presidência da Fifa, em 2016, a entidade enfrentava uma grave crise financeira e de reputação, com um déficit de US$ 550 milhões. O escândalo conhecido como 'Fifagate' havia deixado a organização sob forte escrutínio, resultando na prisão de diversos dirigentes e na suspensão de figuras proeminentes como Joseph Blatter. Diante desse cenário, Infantino prometeu renovar a imagem da Fifa e restabelecer sua saúde financeira, o que conseguiu ao longo dos anos seguintes. Em sua reeleição em 2023, os números demonstravam crescimento significativo, embora as questões relacionadas a direitos humanos continuassem a gerar controvérsias.

Apoio a países do Oriente Médio

Infantino buscou fortalecer as finanças da Fifa através de parcerias estratégicas com países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Essas nações têm investido maciçamente no futebol, e a relação com a Fifa trouxe benefícios financeiros significativos. No entanto, essa aproximação também levantou críticas sobre a postura da Fifa em relação a direitos humanos, especialmente em um contexto onde vários desses países têm sido acusados de práticas abusivas.

A nova Copa do Mundo

Uma das promessas mais emblemáticas de Infantino foi a ampliação do número de seleções na Copa do Mundo, que passou de 32 para 48 participantes. Essa mudança foi implementada na Copa do Mundo de 2026, que será realizada em conjunto pelos Estados Unidos, Canadá e México. O novo formato visa aumentar a inclusão de países menores no cenário esportivo mundial, permitindo que nações como Cabo Verde e Jordânia façam suas estreias em Mundiais. Infantino destacou que essa mudança não apenas ampliou as oportunidades para mais seleções, mas também gerou uma demanda recorde por ingressos, com milhões de solicitações em um curto espaço de tempo.

Prêmio da Paz e controvérsias

Durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, Infantino entregou o Prêmio da Paz ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em reconhecimento a seus esforços na mediação de um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Essa decisão gerou reações misturadas, com críticos apontando a hipocrisia da escolha em um contexto de crescente repressão a imigrantes e movimentos antirracistas nos EUA. A Sport & Rights Alliance e a Human Rights Watch expressaram suas preocupações sobre a concessão do prêmio em um momento em que os direitos humanos estavam em disputa no país.

Futuro da Fifa sob Infantino

O futuro da Fifa sob a liderança de Gianni Infantino parece promissor em termos financeiros, mas repleto de desafios éticos e políticos. A Fifa continua a explorar parcerias com países que têm sido criticados por suas políticas de direitos humanos, e Infantino já começou a sinalizar um possível retorno da Rússia a competições internacionais, apesar das sanções decorrentes da guerra na Ucrânia. A próxima Copa do Mundo, além de ser uma vitrine para o futebol, também se torna um campo de batalha para questões de ética e política global, onde cada decisão pode impactar a imagem e a missão da Fifa no cenário internacional.

Fonte: https://www.estadao.com.br

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