O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou otimismo em relação ao encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agendado para esta tarde em Washington. Segundo Haddad, o chanceler brasileiro demonstra confiança na retomada de um ambiente favorável entre os dois governos, buscando separar as questões políticas das negociações econômicas.
“O clima mudou. Acredito que se abriu um caminho para restabelecermos relações cordiais, como sempre tivemos, isolando a questão política da econômica. A mistura entre as duas foi o problema mais grave”, declarou Haddad a jornalistas.
O ministro da Fazenda esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, mas não detalhou os temas abordados. Haddad confirmou que não há previsão de encontros com autoridades do governo norte-americano.
Mauro Vieira chegou a Washington na terça-feira para uma agenda de trabalho focada na recomposição das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro busca reverter as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos nacionais.
Haddad ressaltou que o Brasil apresentará argumentos econômicos consistentes para persuadir Washington a reconsiderar as medidas. Ele enfatizou que as tarifas elevam os custos para os consumidores americanos.
“Os Estados Unidos já possuem superávit comercial com o Brasil. Há também potencial para investimentos em setores estratégicos como transformação ecológica, terras raras, minerais críticos e energia limpa, incluindo eólica e solar”, afirmou o ministro.
As tarifas adicionais foram implementadas como parte da política comercial da Casa Branca, durante o governo de Donald Trump, que estabeleceu barreiras alfandegárias contra países com superávit em relação aos EUA.
Em abril, os Estados Unidos estabeleceram tarifas proporcionais ao déficit comercial com cada parceiro. Inicialmente, o Brasil, por ter superávit com os EUA, recebeu uma taxa de 10%. Posteriormente, em agosto, entrou em vigor uma tarifa adicional de 40%, em resposta a decisões que, segundo o governo americano, prejudicariam empresas de tecnologia dos EUA.
Entre os produtos afetados estão café, frutas e carnes. Aproximadamente 700 itens, correspondentes a 45% das exportações brasileiras para os EUA, ficaram de fora da primeira lista, incluindo suco de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis.
Fonte: gazetabrasil.com.br