O Hamas entregou, na noite de sexta-feira, o corpo de mais um refém à Cruz Vermelha, em meio a crescentes tensões sobre atrasos na devolução de todos os restos mortais, conforme previsto no acordo de cessar-fogo firmado com Israel.
Por volta da meia-noite, as Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram que a Cruz Vermelha havia recebido um caixão entregue pelo grupo na cidade de Khan Younis, sul da Faixa de Gaza. O corpo está sob custódia das tropas israelenses, onde será realizada uma breve cerimônia religiosa. Posteriormente, os restos mortais serão encaminhados ao Instituto Forense Abu Kabir, em Tel Aviv, para identificação formal.
Até o momento, as autoridades israelenses confirmaram o recebimento de nove dos 28 corpos que o Hamas mantém em Gaza. O governo israelense insiste que o grupo palestino tem conhecimento do paradeiro de todos os reféns falecidos. Em contrapartida, o Hamas atribui os atrasos a “problemas técnicos”, citando a necessidade de maquinário pesado e equipamentos de escavação para recuperar corpos soterrados sob escombros.
O braço militar do Hamas confirmou a recuperação de um novo corpo e a sua entrega. Fontes de segurança israelenses informaram que a transferência à Cruz Vermelha estava agendada. O grupo reiterou seu compromisso com o acordo de cessar-fogo e com a devolução dos demais corpos de reféns sob seu poder.
O Hamas também fez um apelo aos mediadores e garantes do acordo de cessar-fogo, pedindo intensificação dos esforços para garantir que Israel cumpra todas as obrigações pendentes. O grupo enfatizou a urgência na entrada de ajuda humanitária em quantidades suficientes para atender às necessidades da população, a reabertura da passagem de Rafah em ambas as direções e a retomada imediata dos projetos de reconstrução da Faixa de Gaza. A criação de um Comitê de Apoio Comunitário, formado por tecnocratas independentes, para a administração provisória de Gaza após o cessar-fogo também foi defendida.
O governo local, controlado pelo Hamas, denunciou que a ajuda recebida até o momento é insuficiente. Apesar da entrada de suprimentos humanitários, as autoridades alertaram que as quantidades são limitadas e não cobrem nem o mínimo necessário para a sobrevivência da população, estimando a necessidade de pelo menos 600 caminhões diários de ajuda para atender às demandas básicas. A ONU também reportou o fluxo de ajuda para Gaza, mas a abertura total da passagem de Rafah ainda não foi concretizada.
Fonte: gazetabrasil.com.br