Uma pesquisa recente revelou que 80% das empresas industriais enfrentam dificuldades na obtenção de crédito, citando os altos juros como o principal empecilho. A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento, analisou as condições de acesso ao crédito em um cenário econômico desafiador, onde as taxas de juros elevadas afetam diretamente a capacidade de investimento e expansão das indústrias no Brasil. Os dados coletados refletem a preocupação do setor com a atual política monetária e suas implicações para o crescimento econômico.
Principais dificuldades enfrentadas pelas indústrias
Os resultados da pesquisa indicam que, além dos juros altos, outros fatores também dificultam o acesso ao crédito. Conforme os dados, 32% dos entrevistados apontam a exigência de garantias reais, como bens móveis e imóveis, como um obstáculo significativo. Além disso, 17% das empresas mencionam a falta de linhas de crédito que atendam às suas necessidades específicas. Essas dificuldades são ainda mais evidentes quando se analisa a busca por crédito de longo prazo, onde 71% dos industriais citam os juros como a principal barreira.
Taxas de juros e suas consequências
Atualmente, a taxa básica de juros está fixada em 15%, o maior nível desde 2006. Essa alta taxa reflete uma política monetária restritiva, que tem como objetivo controlar a inflação, mas que também resulta em um encarecimento do crédito. A economista Maria Virgínia Colusso, da CNI, destaca que esse cenário desincentiva investimentos em inovação e expansão da capacidade produtiva, afetando a competitividade da indústria brasileira.
Resultados da busca por crédito
A pesquisa revelou que apenas 26% das empresas industriais conseguiram contratar ou renovar crédito de curto prazo, enquanto o percentual para crédito de longo prazo caiu para 17%. Entre as indústrias que buscaram crédito de longo prazo, aproximadamente um terço não obteve sucesso, e essa taxa de insucesso é ainda mais elevada entre as médias indústrias. Para o crédito de curto e médio prazo, 20% das empresas enfrentaram a mesma situação.
Proporção de pedidos negados
A análise dos pedidos negados mostra que 43% das médias indústrias que buscaram crédito de longo prazo tiveram seus pedidos recusados, em comparação com 37% das pequenas e 27% das grandes indústrias. Para o crédito de curto e médio prazo, a situação é semelhante, com 26% das médias indústrias enfrentando negativas, seguidas por 21% das pequenas e 16% das grandes.
Avaliação das condições de acesso ao crédito
A pesquisa também revelou que 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo consideraram que as condições de acesso pioraram entre fevereiro e julho de 2025. Para as operações de renovação de crédito de longo prazo, 33% das indústrias relataram uma avaliação negativa. Apenas 14% das empresas conseguiram renovar seus empréstimos com condições mais favoráveis, e esse percentual é ainda menor, de 12%, para o crédito de longo prazo.
Participação das indústrias na pesquisa
A Sondagem Especial contou com a participação de 1.789 empresas industriais, incluindo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes. O questionário foi aplicado entre os dias 1º e 12 de agosto de 2025, e os resultados refletem a realidade vivida por um setor que enfrenta desafios significativos em um ambiente econômico em transformação.
O panorama atual do crédito industrial revela um cenário preocupante, onde as altas taxas de juros e a dificuldade em garantir empréstimos estão afetando a capacidade de investimento das empresas. É fundamental que políticas eficazes sejam implementadas para facilitar o acesso ao crédito e estimular o crescimento do setor industrial no Brasil.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br